Justiça da Malásia liberta indonésia no caso do assassinato do meio-irmão de Kim Jong Un

Uma indonésia que havia sido acusada de matar o meio-irmão do líder norte-coreano Kim Jong Un foi libertada nesta segunda-feira, depois que a Promotoria da Malásia retirou a acusação de assassinato, uma decisão surpreendente um ano e meio depois do início do julgamento.

Siti Aisyah apareceu sorridente ao ser escoltada até um veículo na saída do Alto Tribunal de Shah Alam, onde era julgada ao lado da vietnamita Doan Thi Huong pelo assassinato de Kim Jong Nam no aeroporto de Kuala Lumpur em fevereiro de 2017.

"Estou feliz. Não sabia que isto aconteceria. Não esperava", disse Aisyah, de 27 anos.

A decisão do tribunal de Shah Alam foi uma surpresa, pois nesta segunda-feira estava previsto apenas um depoimento de Huong.

Os advogados da jovem vietnamita, que chorou quando a acusação contra Aisyah foi retirada, anunciaram que solicitariam um adiamento.

As duas mulheres sempre negaram ter cometido o assassinato e alegam que acreditavam estar participando de uma pegadinha. Elas declararam que foram enganadas por agentes norte-coreanos para executar o ataque, ao lançar o agente nervoso XV - considerado uma arma de destruição em massa - no rosto de Kim Jong Nam, em um episódio digno da Guerra Fria.

Os advogados apresentaram as duas como bodes expiatórios, alegando que as autoridades malaias não tinham capacidade de encontrar os verdadeiros assassinos.

Quatro norte-coreanos que foram formalmente acusados do assassinato ao lado das duas mulheres fugiram da Malásia pouco depois do crime.

O julgamento, iniciado em outubro de 2017, deveria ser retomado nesta segunda-feira com a fase de defesa após um recesso de vários meses. Mas no início da audiência, o promotor Muhammad Iskandar Ahmad solicitou a retirada da acusação de assassinato contra Aisyah e sua liberdade.

O promotor não explicou os motivos de seu pedido.

 

"Siti Aisyah está livre. Já pode sair", anunciou o juiz Azmin Ariffin ao aceitar o pedido.

O embaixador indonésio na Malásia, Rusdi Kirana, afirmou que estava feliz com a decisão do tribunal e anunciou que tentaria organizar o retorno de Siti Aisyah à Indonésia o mais rápido possível".

O advogado de Aisyah agradeceu a decisão.

"Continuamos acreditando sinceramente que ela é apenas um bode expiatório e que é inocente", declarou.

Durante o julgamento, as testemunhas descreveram como Kim Jong Nam - que estava afastado do meio-irmão Kim Jong Un e que em um momento havia si do considerado um possível herdeiro da liderança do regime norte-coreano - morreu de maneira angustiante pouco depois de ser atacado.

Vídeos de câmeras de segurança exibidos durante o julgamento mostraram as suspeitas correndo para banheiros diferentes do aeroporto após o assassinato, antes de abandonar o local em um táxi.

Os promotores compararam o assassinato ao roteiro de um filme de James Bond e afirmaram que as duas acusadas eram assassinas bem treinadas.

Mas os advogados alegaram que os quatro norte-coreanos foram os responsáveis pela trama e que forneceram o agente nervoso às duas mulheres no dia do assassinato, antes da fuga.

Em agosto, um juiz considerou que havia provas suficientes do envolvimento das suspeitas em uma "conspiração bem planejada" com os quatro norte-coreanos para assassinar Kim.

A Coreia do Sul acusou o Norte de ter planejado o assassinato, o que Pyongyang sempre negou. Kim Jong Nam era um crítico do regime e vivia no exílio.

A Malásia era um dos poucos aliados do regime da Coreia do Norte, mas o assassinato de Kim Jong Nam abalou gravemente a relação e motivo a expulsão dos embaixadores dos dois países.

Uma condenação por assassinato na Malásia representa uma pena de morte automática. O governo se comprometeu a abolir a pena capital, mas o Parlamento ainda não se pronunciou sobre o texto.