Coreia do Norte realiza eleições legislativas neste domingo

Os norte-coreanos vão às urnas neste domingo (10) para eleições, nas quais há apenas um ganhador possível, o candidato único oficialista.

A legenda do líder norte-coreano, Kim Jong-un, o Partido dos Trabalhadores, dirige com mão de ferro a República Popular Democrática da Coreia (RPDC), o nome oficial deste hermético país dotado da bomba atômica.

A cada cinco anos, são realizadas eleições legislativas para designar os membros da Assembleia Suprema do Povo, o Parlamento norte-coreano.

Em consonância com um dos lemas preferidos de Pyongyang, "a unidade na determinação", as cédulas de voto incluem apenas um nome por circunscrição, o qual teve de ser previamente aprovado.

Nas últimas eleições, em 2014, o índice de participação foi de 99,97%, segundo a agência oficial de notícias KCNA. Os únicos que não participaram foram os eleitores que se encontram no exterior, ou que "trabalhavam no mar". Os candidatos obtiveram 100% dos votos de suas respectivas circunscrições eleitorais.

"Consideramos o conjunto da população do nosso país como uma única família. De modo que vamos nos unir em um mesmo estado de ânimo e vamos votar a favor do candidato aprovado", disse à AFP Song Yang Ran, de 57 anos, uma liderança no Sindicato de Mulheres Socialistas, antes das eleições.

 

Quando falam com a imprensa estrangeira, os norte-coreanos sempre manifestam seu apoio às autoridades.

"Nosso sistema é o melhor", acrescenta Song, quando lhe perguntam sua opinião sobre as eleições, em que há várias opções de voto.

Diante da ausência total de competição eleitoral, os analistas consideram que este processo seja uma espécie de rito que permite às autoridades reivindicarem um mandato popular.

O voto é resultado "da inércia institucional e da necessidade de legitimar o governo, simulando procedimentos democráticos", considera Andrei Lankov, do Korea Risk Group.

A Coreia do Norte está dividida em circunscrições eleitorais. Eram 686 em 2014. Neste ano, Kim Jong-un era candidato por Monte Paektu. Segundo a KCNA, obteve 100% dos votos com uma taxa de participação de 100%.

Algumas cadeiras estão reservadas para legendas nanicas: o Partido Socialdemocrata da Coreia e o Partido Chondoísta Chongdu, que tem suas raízes em um movimento religioso do século XX.

Os dois partidos pertencem à mesma aliança que o partido no poder. De acordo com analistas e diplomatas, não têm uma verdadeira existência, já que contam apenas com pequenos escritórios com fins propagandísticos.

A participação eleitoral, assim como todos os "ritos obrigatórios" na Coreia do Norte, reforça a lealdade do povo em relação ao governo e a unidade social, acrescenta Lankov.

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