Chega a Miami jornalista americano detido em Caracas

O jornalista americano Coddy Weddle, que cobria a atualidade da Venezuela para vários veículos do sul da Flórida, chegou nesta quinta-feira (7) a Miami, após ter sido detido por mais de 10 horas pela contrainteligência militar venezuelana e deportado de Caracas.

Ao chegar ao aeroporto internacional de Miami, Weddle contou a jornalistas que ficou detido com o rosto coberto, enquanto os agentes o interrogaram por mais de 10 horas sobre seu contato com militares e policiais, buscando informações em particular sobre cinco generais.

"Tem muita paranoia, especialmente nas Forças Armadas. Basicamente reportei a verdade, que há muito descontentamento nas Forças Armadas lá, sobretudo nas tropas, e isso foi o que eu escutei de muitos oficiais e suponho que eles não querem que isso seja publicado", disse.

"Me perguntaram seguidamente se tinha contatos com os militares", acrescentou. "Eu não fiz nenhuma matéria em que falasse de cinco generais".

"Não sabia de onde tiraram essa informação, mas evidentemente achavam que tinha feito alguma matéria em que falava com cinco generais", prosseguiu.

"Fiz, sim, uma matéria em que falei com funcionários locais. Falei com alguns militares no exílio e também com oficiais da polícia, mas não tinha seus nomes", disse Weddle. "Não os daria de qualquer forma, e [seus contatos] não estavam no meu telefone".

Na quarta-feira, foi libertado seu auxiliar venezuelano, Carlos Camacho, que assim como Weddle foi detido em casa em Caracas pela Direção de Contrainteligência militar (Dgcim).

Weddle colabora com os veículos americanos ABC News, CBC e Miami Herald, e com o jornal britânico The Telegraph.

O jornalista contou que os oficiais confiscaram seus equipamentos e revisaram sem telefone, mas depois tudo foi devolvido.

A organização venezuelana Espaço Público, que defende a liberdade de expressão, informou em um comunicado ter registrado 49 detenções de trabalhadores da imprensa na Venezuela em 2019.

Entre os estrangeiros, a ONG conta com o jornalista alemão Billy Six, que segundo informou continua recluso no Helicoide - sede do serviço de Inteligência - desde 17 de novembro.

Na semana passada, as duas maiores emissoras hispânicas nos Estados Unidos denunciaram "detenção" e "sequestro" durante o exercício de sua profissão em Caracas, após a retenção por algumas horas de Jorge Ramos, estrela mexicano-americana da Univisión, e de Daniel Garrido, jornalista venezuelano da Telemundo.

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