Nova diretora da ONU Mulheres América Latina assume com desafios na Venezuela e no Haiti

Eliminar a diferença salarial entre homens e mulheres. Aumentar a participação feminina na política. Lançar lentes de aumento sobre a Venezuela e o Haiti. Esses são alguns dos desafios da uruguaia María Noel Vaeza, nova diretora da ONU Mulheres para a América Latina e o Caribe.

Esta advogada, que já atuava como diretora da Divisão Programas da ONU Mulheres, vai trocar Nova York pelo Panamá para ocupar o segundo posto mais importante nas Nações Unidas em temas de gênero a partir de 1 de abril, quando a região se mobiliza para promover mudanças profundas em diversos âmbitos.

"Me sinto verdadeiramente muito honrada", declarou Vaeza à AFP. "Fico muitíssimo entusiasmada de voltar à região com todas as mudanças que estão acontecendo".

Entre suas prioridades, Vaeza não titubeia ao citar a Venezuela, atingida por uma profunda crise política, social e econômica, e o Haiti, um dos países mais pobres de mundo, que atualmente enfrenta manifestações antigoverno que pararam o país.

"O movimento feminista venezuelano está muito desarticulado. Devemos gerar cooperação horizontal para que, na reconstrução que terá que ser feita na Venezuela, sejam incluídos os temas de igualdade, de preconceito, que serviços públicos que elas vão precisar, como acesso ao mercado de trabalho e acesso aos seus direitos", disse.

Sobre o Haiti, ela explicou que o país tem "muitos desafios" e está marcado pela escassa representação feminina na política - há apenas uma mulher em seu Parlamento, por exemplo.

"É um país que precisamos apoiar, sobretudo as mulheres que enfrentam realidades muito difíceis", disse.

A advogada também quer trabalhar com o setor privado para criar melhores condições de trabalho para mulheres e estimular o acesso a cargos de direção.

"Temos muito poucas mulheres nesses cargos, e acredito seguramente que quando uma mulher chega as esses cargos, ela rompe essas cadeias que seguram outras mulheres", explica.

Vaeza espera poder se articular da mesma forma na política. "Sobretudo em meu país, que terá um processo eleitoral. Esperamos que mulheres sejam eleitas".

Vaeza considera a Bolívia e o México modelos atuais de paridade política. "É um exemplo que temos que seguir, como as mulheres conquistaram isso em sociedades extremamente machistas", afirmou.

"A mulher precisa chegar. Não há oportunidade para pensar de outra forma. Sinceramente, já chega", concluiu.

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