Presidente da Argélia alerta para o caos por protestas contra quinto mandato

O presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, alertou nesta quinta-feira a nação sobre a possibilidade do "caos" no país, na véspera de um novo protesto contra sua candidatura a um quinto mandato consecutivo.

O presidente de 82 anos está confinado a uma cadeira de rodas desde que sofreu um derrame cerebral em 2013 e raramente aparece em público, e o anúncio de sua nova candidatura para um novo mandato provocou protestos sem precedentes na Argélia em duas décadas.

Bouteflika está hospitalizado na Suíça desde 24 de fevereiro para se submeter a "exames médicos de rotina", e, portanto, utilizou a agência oficial de notícias APS para alertar os argelinos sobre os riscos de "caos".

Em sua nota, Bouteflika comemorou o fato de o "pluralismo democrático" ser "uma realidade no país", mas emitiu um alerta sobre "infiltrações" nos protestos que abalam o país há quase um mês.

"Muitos de nossos cidadãos" saíram às ruas para "expressar pacificamente suas opiniões", disse o polêmico presidente.

"No entanto, devemos pedir cautela, caso essa expressão pacífica seja infiltrada por alguma parte insidiosa... que pode causar o caos", acrescentou.

Bouteflika não fez qualquer menção de sua própria candidatura como um gatilho para os protestos, mas em vez disso fez uma referência sinistra à necessidade de evitar o retorno à "tragédia nacional", referindo-se à sangrenta guerra civil que se arrastou por 10 anos.

A advertência de Bouteflika é feita no mesmo dia em que milhares de advogados tomaram as ruas da capital, Argel, para protestar contra a nova candidatura por causa do delicado estado de saúde do presidente.

Os advogados conseguiram romper um cordão policial em sua marcha para a sede do Conselho Constitucional, órgão que estuda desde 4 de março as 21 candidaturas, incluindo a de Bouteflika, para as eleições de 18 de abril.

O anúncio de sua candidatura em 10 de fevereiro provocou protestos de uma magnitude nunca antes vista contra ele, eleito chefe de Estado há duas décadas.

Apesar de manifestações terem sido proibidas na capital desde 2001, quase todos os dias há protestos em Argel desde 22 de fevereiro.

 

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