Guaidó de volta à Venezuela

Apesar de ameaça de prisão, o governo Maduro não impôs dificuldades para a entrada do autoproclamado presidente

CARACAS - O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, retornou ao país após um giro por aliados da América do Sul. O opositor, que desrespeitou uma determinação do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), não teve grandes entraves para a chegada, mas o governo disse que avalia quais medidas legais tomar.

"Sabemos dos riscos que corremos, isso nunca nos parou", declarou o líder opositor ao chegar no aeroporto internacional de Maiquetía, a 20 km de Caracas, onde um grupo de simpatizantes entoava o nome do parlamentar. Acompanhado por sua esposa e colaboradores próximos, chegou ao meio-dia e foi recebido por por embaixadores de países europeus e do Chile.

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Juan Guaidó chega á Venezuela (Foto: Federico Parra/AFP)

Guaidó havia sido proibido de sair da Venezuela por uma ação movida pelo Ministério Público no TSJ, em janeiro. As investigações por "usurpação" de funções ditaram medidas cautelares que determinavam impedimento de saída e o congelamento de bens. Havia uma desconfiança de que o governo do presidente Nicolás Maduro poderia prendê-lo quando chegasse ao país, mas isso não se concretizou. O opositor disse não temer um encarceramento: "não vão nos deter através de ameaças. Aqui estamos mais fortes e unidos do que nunca, com o olhar no futuro".

O venezuelano saiu às escondidas no dia 22 de fevereiro para o show promovido pelo bilionário Richard Branson na fronteira Colômbia-Venezuela com objetivo de forçar a entrada de ajuda humanitária no país, fornecida principalmente pelos Estados Unidos. Com o fracasso da tentativa, o dirigente decidiu visitar aliados regionais, entre eles, o Brasil.

O governo reagiu a volta do opositor com tranquilidade. A vice presidente Delcy Rodríguez reafirmou uma declaração de Maduro, dizendo que Guaidó terá que enfrentar a justiça. "Seu comportamento, suas atividades, serão cuidadosamente analisadas pelas instituições do Estado. Serão tomadas as medidas apropriadas". Rodríguez ainda disse que a autoproclamação do opositor "ridiculariza" o país.

Chavismo na folia

Durante o carnaval, os dirigentes chavistas promoveram mais uma batalha cultural. Com as críticas da oposição à extensão do feriado por Maduro e uma ameaça de boicote, os bolivarianos passaram os últimos dias exaltando a festa, bastante popular no país.