Forças curdo-árabes esperam novas evacuações de reduto do EI na Síria

As forças curdo-árabes se preparam, nesta segunda-feira (4), para novas evacuações de civis do último reduto do grupo Estado Islâmico (EI) no leste da Síria, onde os jihadistas são acusados de usá-los como "escudos humanos".

Após a evacuação de milhares de civis durante mais de duas semanas, as Forças Democráticas Sírias (FDS) retomaram na sexta-feira a ofensiva contra os últimos combatentes do EI, que estão escondidos em uma pequena área no vilarejo de Baghuz, na província de Deir Ezzor.

Tiros de artilharia e ataques aéreos da coalizão internacional liderada por Washington visaram nos últimos dias várias posições jihadistas na localidade.

"Há uma desaceleração na operação desde ontem. As famílias de (membros) do EI saíram", explicou nesta segunda-feira um comandante das FDS.

"Esperamos novas evacuações hoje, mas não temos números exatos", acrescentou ele, enquanto as FDS acusam os jihadistas de usar estes civis como "escudos humanos".

Nesta segunda, no entanto, três ataques aéreos visaram o EI, causando uma espessa nuvem de fumaça preta e cinza, constatou um jornalista da AFP.

No topo de uma colina reconquistada pelas FDS com vista para o setor, duas bandeiras imponentes das unidades curdas flutuam ao vento.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) confirmou uma "desaceleração dos combates nas últimas horas", dizendo esperar "uma trégua para evacuar os feridos, famílias de jihadistas, bem como civis e combatentes que desejam se render".

Dezenas de caminhões aguardavam perto de Baghuz esta manhã. Segundo um motorista, trata-se de um novo comboio para transportar os civis.

 

 

Escondidos em meio a um mar de minas terrestres, os jihadistas têm atiradores e apostam em contra-ataques.

Durante confrontos no domingo, "oito homens-bomba se explodiram antes de alcançar as posições" das forças curdas, enquanto três carros-bomba foram ativados remotamente, segundo comunicado das FDS.

Desde sexta-feira, sete membros das FDS morreram contra 18 jihadistas no campo de batalha ou em ataques suicidas, informou o OSDH.

Cerca de 53 mil pessoas, em sua maioria parentes de jihadistas, deixaram Baghuz desde dezembro, de acordo com o Observatório. Entre elas, mais de 5.000 jihadistas foram presos, segundo a mesma fonte.

A grande maioria dos evacuados foi transferida para o campo de deslocados de Al-Hol, mais ao norte.

Depois de uma ascensão meteórica em 2014, o EI proclamou em junho do mesmo ano um "califado" nas vastas áreas conquistadas na Síria e no vizinho Iraque. Mas, em face de várias ofensivas nos últimos dois anos, os jihadistas perderam terreno, restando apenas este quarteirão em Baghuz.

A perda de Baghuz vai significar o fim territorial do "califado" na Síria, após sua derrota no Iraque em 2017. Mas o grupo já começou sua transformação em uma organização clandestina. Seus combatentes estão espalhados no deserto da Síria, no centro do país, e ainda conseguem realizar ataques mortais.

Paralelamente à ofensiva anti-EI, os chefes do Estado-Maior russo e americano, Valeri Guerassimov e Joe Dunford, vão se reunir nesta segunda-feira em Viena, na Áustria, para discutir as operações na Síria, onde os Estados Unidos decidiram manter uma "força residual".

O presidente americano Donald Trump, decidiu, em dezembro, retirar seus cerca de 2.000 soldados que estavam no nordeste da Síria, em apoio às FDS, mas finalmente foi convencido a manter cerca de 200 no país.

Desde a entrada da Rússia no conflito, em 2015, Moscou e Washington concordaram em separar suas áreas de operações contra o EI e, assim. evitar qualquer incidente.

 

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