Sob ameaça de prisão, Guaidó volta à Venezuela

CARACAS - O autoproclamado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, confirmou ontem que pretende voltar hoje ao país natal. O líder corre risco de ser preso por ter desrespeitado medida cautelar do Tribunal Superior de Justiça que o proibia de deixar o país.

"Anuncio o meu retorno ao país. Convoco o povo venezuelano a se concentrar, em todo o país, amanhã às 11h (12h de Brasília)", escreveu Guaidó em sua conta no Twitter, convocando uma mobilização a seu favor.

O líder opositor esteve nos últimos dias visitando apoiadores regionais, após ir à Colômbia para a tentativa frustada fazer entrar na Venezuela a ajuda humanitária enviada pelos EUA. O parlamentar venezuelano se encontrou com o presidente Jair Bolsonaro na quinta-feira e, ontem, foi a vez do governante do Equador, Lenin Moreno. "Definitivamente esse Estado falido não deve mais seguir. Estamos com você nesse caminho de saída desse abismo em que o socialismo do século XXI nos colocou", afirmou Moreno, ex-aliado do presidente Nicolás Maduro e do ex-presidente equatoriano Rafael Correa.

Após a conversa, Guaidó confirmou que vai retornar à Venezuela, mesmo sob ameaça de prisão. O opositor foi proibido de deixar a Venezuela por uma ação movida pelo Ministério Público no Tribunal Supremo de Justiça, em janeiro. As investigações por "usurpação" de funções ditaram medidas cautelares que determinavam impedimento de saída e o congelamento de bens. Maduro disse na semana passada que Guaidó deve "respeitar a lei" e que se retornar "terá que enfrentar a Justiça".

O opositor disse que não tem medo de ser encarcerado e fala que sua família tem sido alvo de ameaças no país.