Xeque egípcio condena poligamia

Prática permitida para homens no Mundo Árabe, a poligamia foi alvo de críticas do xeque Ahmed el-Tayeb, grã imã do Al-Alzhar, principal entidade islâmica sunita. O líder religioso considerou que a prática é injusta e desrespeita o princípio de equidade do Alcorão.

Essa não é a primeira vez que el-Tayeb ataca a prática, mas agora ele subiu o tom. Em 2016, também condenou a atitude, quando o presidente Abdel Fatah al-Sisi fez um chamado a renovar o discurso religioso.

"Aqueles que dizem que o casamento deve ser polígamo estão errados. A poligamia é restrita e está subordinada à equidade. Se não houver equidade, fica proibido ter múltiplas esposas", disse em seu programa semanal de TV e no Twitter. Ele ainda afirmou que "poligamia é muitas vezes uma injustiça contra as mulheres e as crianças" por ser uma "falta de compreensão do Alcorão e da tradição do profeta Maomé".

Essa manifestação foi elogiada pelo Conselho Nacional da Mulher. A presidente da entidade, Maya Morsi, afirmou que "a religião muçulmana homenageia a mulher, oferece justiça e concede numerosos direitos que não existiam antes".

A declaração gerou polêmica e obrigou ao Al-Alzhar a esclarecer que a poligamia "não estava proibida". A poligamia é legal para homens e banida para as mulheres em todos os países árabes, com exceção da Tunísia, que a permite para os dois gêneros. Muitas mulheres se recusam a manter um casamento com um homem poligâmico e solicitam divórcio.

Na sexta-feira, o Al-Azhar publicou no Twitter uma mensagem com declarações do xeque sobre a "necessidade de renovar o que concerne às questões relativas à mulher". "As mulheres representam metade da sociedade, e se não cuidarmos seria como tentar caminhar com um pé só", tuitou.