Guerra de propaganda entre a Índia e o Paquistão após libertação de piloto

Um vídeo do piloto indiano libertado na sexta-feira (1) pelo Paquistão, no qual agradece as autoridades paquistanesas, provocou, neste sábado (2), intenso descontentamento na Índia, após Islamabad apresentar a libertação como um "gesto de paz" nesta nova crise em torno da Caxemira.

Enquanto isso, os confrontos continuavam neste sábado entre os dois países, com disparos de artilharia dos dois lados da linha de demarcação. Dois soldados paquistaneses foram mortos na Caxemira, segundo uma fonte militar paquistanesa.

O tenente-coronel Abhinandan Varthaman, cujo caça MiG-21 foi abatido na quarta-feira quando perseguia caças paquistaneses sobre a Caxemira, atravessou a pé o posto fronteiriço de Wagah na sexta.

Sua captura ocupou o centro das hostilidades entre as duas potências nucleares, desencadeadas por um atentado suicida que matou 14 paramilitares indianos em 14 de fevereiro na Caxemira.

Abhinandan Varthaman, que havia se ejetado de seu caça e foi pego pela multidão no lado paquistanês, parecia ter um olho roxo quando retornou à Índia.

Ele foi imediatamente levado para exames médicos antes de um interrogatório com os serviços militares e de inteligência.

 

 

De acordo com a imprensa indiana, o retorno do piloto - celebrado como um verdadeiro herói em seu país - demorou mais do que o previsto porque ele foi "forçado" a gravar um vídeo.

No vídeo em questão, o soldado agradece o exército paquistanês por seu profissionalismo e por salvá-lo da multidão enfurecida, e acusa a imprensa indiana de fomentar uma histeria entre os dois países.

O vídeo foi amplamente difundido pelos militares paquistaneses.

Um ex-chefe de governo do estado indiano de Jammu e Caxemira, Omar Abdullah, estimou que o vídeo manchava o gesto do Paquistão de devolver o piloto tão rapidamente.

Islamabad havia apresentado essa libertação como um "gesto de paz".

O piloto foi "forçado a gravar (o vídeo) pouco antes de ser devolvido", acusou Abdullah no Twitter.

A mídia indiana descreveu o vídeo como "odioso", violando as normas internacionais sobre prisioneiros de guerra. Nas redes sociais na Índia o vídeo também era criticado.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Shah Mehmood Qureshi, assegurou que seu país foi apenas cauteloso ao optar por libertar o piloto. Nenhum "acordo" ou "pressão" foi exercido sobre o país. "Só queremos paz", insistiu ele.

Centenas de milhares de paquistaneses assinaram duas petições on-line exigindo que seu primeiro-ministro, Imran Khan, seja indicado ao próximo prêmio Nobel da Paz, após suas decisões e declarações tranquilizadoras sobre a crise com a Índia.

A hashtag #NobelPeaceForImranKhan se tornou viral no Twitter.

E, enquanto a mídia paquistanesa elogiava a liberação do piloto para aliviar a tensão com a Índia, alguns censuravam o gesto nas redes sociais.

"Não é uma boa ideia. Vai se voltar contra o Paquistão", estimou Gul Bukhari, crítico do governo e dos militares.

Pelo menos 12 civis foram mortos desde o começo da semana nos dois lados da fronteira.

 

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