China pede discussões sobre retirada parcial de sanções contra Coreia do Norte

A China pediu, nesta sexta-feira, para discutir na ONU uma suspensão parcial das sanções econômicas impostas à Coreia do Norte, após o fracasso da cúpula de Hanói entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Kim Jong Un.

A China é o principal apoio diplomático e comercial da Coreia do Norte, mas nos últimos anos endossou as sanções da ONU para forçar o regime norte-coreano a abandonar seu programa de mísseis nucleares.

Os Estados Unidos e a Coreia do Norte "consideram a suspensão das sanções um elemento importante no processo de desnuclearização", disse Lu Kang, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China.

"Ambas as questões [o levantamento das sanções e a desnuclearização] devem ser tratadas simultaneamente e resolvidas em conjunto", destacou em uma entrevista coletiva.

Na sexta-feira, a Coreia do Norte propôs novas negociações para os Estados Unidos, após o fracasso da cúpula entre Donald Trump e Kim Jong Un no Vietnã, que terminou na quinta-feira sem qualquer declaração comum.

Trump responsabilizou a Coreia do Norte pelo fracasso, argumentando que a delegação norte-coreana havia exigido que todas as sanções fossem suspensas.

Por sua vez, o governo norte-coreano respondeu que só havia pedido uma liberação "parcial".

Apesar das divergências, nesta sexta-feira a agência oficial de notícias norte-coreana KCNA afirmou que os dois governantes tiveram uma "conversa construtiva e sincera".

As relações entre os dois países, beligerantes na tecnicamente inacabada guerra da Coreia, foram "caracterizadas pela desconfiança e o antagonismo" durante décadas, afirmou a KCNA, e existem "dificuldades inevitáveis" no caminho de uma nova relação.

Mas a reunião de Hanói foi "exitosa" e Kim prometeu a Trump outro encontro, concluiu a KCNA.

Nesta sexta-feira, destacando "a evolução positiva da situação na península, especialmente as medidas norte-coreanas sobre a desnuclearização", Lu Kang pediu ao Conselho de Segurança da ONU que "inicie as discussões" sobre as sanções.

As Nações Unidas deveriam "ajustar as sanções de acordo com o princípio da reciprocidade sincrônica", sugeriu ele.

Por outro lado, Yang Jiechi, o principal responsável pelos assuntos diplomáticos do Partido Comunista Chinês (PCC), falou por telefone com o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, segundo o Ministério das Relações Exteriores chinês.

De acordo com o comunicado, Pompeo disse que o governo dos EUA permanecerá em contato com seu colega norte-coreano e "apreciou muito o papel positivo desempenhado pela China na questão da península coreana".

Yang pediu aos dois países que "continuem a promover as negociações de paz", garantindo que Pequim "continuará desempenhando um papel construtivo".

Kim Jong Un, que continua no Vietnã até sábado, deve retornar ao seu país via China. Mas ainda há dúvidas sobre um possível encontro com o presidente Xi Jinping, com quem já se reuniu quatro vezes no ano passado.

 

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