Mais civis deixam reduto do EI antes de batalha final na Síria

As forças curo-árabes na Síria retiraram, nesta sexta-feira, dezenas de pessoas di último quarteirão nas mãos do grupo Estado Islâmico (EI) antes de lançar a batalha final para expulsar a organização jihadista da localidade.

Engajadas desde setembro em uma ofensiva contra este reduto do EI na província de Deir Ezzor, as Forças Democráticas Sírias (FDS) tiveram que suspender as operações há mais de duas semanas depois de acusar o EI de usar os civis como "escudos humanos".

Milhares de pessoas - a maioria mulheres e crianças - deixaram na última semana a área, reduzida a menos de um quilômetro quadrado, na cidade de Baghuz.

Nesta sexta-feira, dezenas de pessoas foram colocadas em seis caminhões que deixavam o reduto jihadista, na sétima operação de evacuação desde 20 de fevereiro, constatou uma equipe da AFP no local.

Quinta-feira, outras pessoas, incluindo "muitos estrangeiros de diferentes nacionalidades", deixaram Baghuz, agora controlado em grande parte pelas FDS.

As FDS estimam em alguns milhares o número de pessoas, incluindo jihadistas, ainda na zona.

Os últimos combatentes extremistas estão entrincheirados na periferia leste do vilarejo, localizado na margem oriental do rio Eufrates, não muito distante da fronteira iraquiana.

Eles se recusam a depor as armas, contrariamente a outros jihadistas que se renderam nas últimas semanas ou que se misturaram entre os civis evacuados.

As FDS são apoiadas pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos.

Apesar da resitência dos jihadistas em Baghuz e a batalha final que se aproxima, o presidente americano Donald Trump falou na quinta-feira de uma derrota total do EI na Síria.

"Acabamos de assumir o controle do califado na Síria. Vocês ouviram falar de 90%, 92%, agora, é 100%. Acabamos de tomar o controle" total do enclave, declarou diante dos militares americanos no Alasca em seu retorno do Vitnã.

Segundo um porta-voz das FDS, Adnane Afrine, os curdos esperam a saída dos últimos civis para lançar o assalto final. "Esperamos que as operações de evacuação terminem o quanto antes para passar para a segunda etapa, a da guerra ou da rendição dos combatentes" do EI.

Na quinta, o comandante das FDS, Mazloum Kobani, afirmou que a vitória seria anunciada "em aproximadamente uma semana".

Desde dezembro, quase 50.000 pessoas, a maioria famílias de jihadistas, abandonaram o reduto do EI, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Entre eles haveria mais de 5.000 combatentes, afirma o OSDH.

No âmbito destas evacuações, os homens suspeitos de pertencer ao EI permanecem detidos. As mulheres e crianças, inclusive familiares dos jihadistas, são transferidos a campos de deslocados no nordeste sírio.

Iniciada em 15 de março de 2011, a guerra na Síria já fez mais de 360.000 mortos e forçou a fuga de milhões de pessoas.

"O conflito está longe de terminar", estimou na quinta diante do Conselho de Segurança o novo emissário da ONU para a Síria, Geir Pedersen.

"Territórios inteiros ainda escapam ao controle do governo" e o EI "pode renascer das cinzas".

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