Venezuela sem 'aventuras'

Presente no Grupo de Lima, Mourão critica intervenção militar na Venezuela e pede solução pacífica para crise

BOGOTÁ - Ontem o Grupo de Lima voltou a se encontrar, dessa vez em Bogotá. Os representantes de 10 países do continente americano, entre eles Brasil e EUA, receberam pela primeira vez o autoproclamado presidente interino venezuelano Juan Guaidó e falaram em levar Nicolás Maduro aos tribunais internacionais. O vice-presidente general Mourão esteve na reunião e condenou mais uma vez uma intervenção e cobrou que as ações se limitem à pressão diplomática. Quatro países não compareceram, entre eles, o México.

A presença de Mourão no encontro rendeu por todo o dia, com diversas entrevistas e mensagens no Twitter sobre a Venezuela. "Vamos manter a linha de não intervenção, acreditando na pressão diplomática e econômica internacional para buscar uma solução pacífica. Sem aventuras. Condenamos o regime de Nicolas Maduro e estamos indignados com a violência contra a população venezuelana. A tarefa (do Brasil) não é somente liderar uma iniciativa de preservação da paz e da segurança nas Américas, mas oferecer o valioso exemplo de uma ação conjunta, equilibrada, prudente e consistente para superar a crise", tuitou.

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General Hamilton Mourão se reúne com Juan Guaidó após reunião do Grupo de Lima (Foto: Vice-presidência)

O Brasil foi, junto do Peru, uma das vozes que se opôs a uma solução intervencionista em uma reunião marcada pela ausência de quatro países tidos como mais moderados: México, Guiana, Santa Lúcia e Costa Rica. Os três primeiro não reconhecem Guaidó como presidente interino, enquanto a Costa Rica foi palco de uma confusão diplomática, com uma diplomata nomeada por Guaidó tentando assumir a embaixada no país à força.

"O Brasil acredita firmemente que é possível a Venezuela regressar ao convívio democrático sem medidas extremas que o caracterizem como invasor ou agressor", afirmou Mourão. O vice-chanceler peruano disse que "o uso da força é inaceitável" e que "no Grupo de Lima lutamos para que a solução se dê de forma pacífica".

Juan Guaidó, por sua vez, pediu na reunião que os países deixassem "todas as opções sobre a mesa" e foi seguido pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence, que repetiu o pedido. "Ser permissivo com a usurpação seria uma ameaça para toda a América", afirmou Guaidó. À pedido dos EUA, o Conselho de Segurança da ONU se reúne hoje para debater sobre a Venezuela.

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Seis militares que desertaram da Venezuela e se refugiaram no Brasil apresentam IDs (Foto: Nelson Almeida/AFP)

Na resolução do Grupo de Lima, os países pedem ao Tribunal Penas Internacional (TPI) que "leve em consideração a grave situação humanitária na Venezuela, a violência criminosa do regime de Maduro contra a população civil e a negação do acesso à assistência internacional, que constituem crime contra a humanidade".

Novas deserções

Ontem, quatro novos membros das forças armadas venezuelanos partiram para o Brasil em busca de refúgio político. Até agora seis foram aceitos em Pacaraima. Do lado colombiano são 167, segundo autoridades. O governo Maduro minimiza essas baixas, que são, segundo eles, menos de 0,1% dos 250 mil efetivos da Força Armada Bolivariana.

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Mike Pence (D) e Juan Guaidó (Foto: Diana Sanchez/AFP)

 



General Hamilton Mourão se reúne com Juan Guaidó após reunião do Grupo de Lima
Seis militares que desertaram da Venezuela e se refugiaram no Brasil apresentam IDs
Mike Pence (D) e Juan Guaidó