Na fronteira, confrontos deixam mortos e caminhões queimados

A prometida entrada de ajuda humanitária de Juan Guaidó não aconteceu como esperado. Pelo Brasil, dois dos quatro caminhões posicionados na fronteira conseguiram chegar ao território venezuelano, enquanto na Colômbia o bloqueio foi total. Houve duas mortes em Santa Elena de Uairén, fronteira com Roraima, e cerca de 20 feridos.

Logo pela manhã, Juan Guaidó publicou em seu twitter que um um carregamento vindo do Brasil conseguiu passar: "anunciamos oficialmente que o primeiro carregamento de ajuda humanitária entrou agora em nossa fronteira com o Brasil". À noite, o governo brasileiro confirmou que dois dos quatro caminhões saídos de Pacaraima conseguiram cruzar a fronteira. Apesar da chegada ao solo venezuelano, os veículos não teriam passado do bloqueio militar - alguns opositores teriam afirmado que eles foram queimados, sem confirmação. Os outros dois caminhões voltaram da faixa fronteiriça.

Foram registrados quatro mortos na cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén e outros 20 feridos, em maioria transferidos para hospitais brasileiros - em Pacaraima e em Boa Vista.

Na Colômbia, bloqueio total

Pela Colômbia, não há nenhuma informação de que caminhões conseguiram entrar na Venezuela e o governo de Duque determinou a saída dos veículos da fronteira. Os opositores chegaram a cogitar cruzar os suprimentos pela fronteira através de um cordão humano, mas não houve sucesso.

Os primeiros confrontos entre opositores e militares foram pela manhã. Os simpatizantes de Juan Guaidó queimaram pneus e usaram coquetéis molotov contra os militares, que responderam com tiros e bombas de gás lacrimogênio. Segundo informações da AFP, ao menos 42 pessoas ficaram feridas apenas na Ponte Simón Bolívar, principal ponte fronteiriça entre Colômbia e Venezuela.

Dois incidentes foiram considerados factóides pelo governo de Maduro com o objetivo de gerar caos. O primeiro foi um blindado pilotado por militares venezuelanos desertores que avançou sobre a cerca da fronteira na ponte Simón Bolívar e feriu um policial e uma jornalista chilena foram feridos com a ação. O segundo seria a queima de dois de quatro caminhões localizados na ponte Santander. O governo afirma que os caminhões estavam a uma larga distância da base militar e não teriam como ter sido queimados por oficiais, enquanto a deputada opositora Gaby Arellano, presente no local, afirma que a ação partiu das forças armadas.

Guaidó, que estava na articulação para a entrada de caminhões com ajuda humanitária na cidade colombiana de Cúcuta, prometeu que a oposição está pronta para fazer a ajuda humanitária entrar, apesar do forte bloqueio. "Nossos voluntários corajosos estão formando uma corrente para salvaguardar a comida e os medicamentos. A avalanche humanitária é incontrolável", assegurou Guaidó.

Cerca de 60 militares desertaram e partiram para a Colômbia. A cifra foi bem abaixo do esperado para possibilitar a entrada dos mantimentos. O governo minimizou dizendo que são "de 250 mil militares" e a maioria é leal.