Premiê May volta a Bruxelas para tentar obter mudanças no acordo do Brexit

A primeira-ministra britânica, Theresa May, retorna a Bruxelas nesta quarta-feira para tentar modificar o acordo Brexit junto aos europeus, que ainda aguardam a solução da líder conservadora para resolver o quebra-cabeça e evitar um divórcio abrupto.

A 37 dias do Brexit, o processo de divórcio acertado está em um beco sem saída depois do não em janeiro do Parlamento britânico para o acordo atual em relação ao mecanismo projetado para evitar uma fronteira na ilha da Irlanda, item que a União Europeia (UE) se recusa a modificar.

O chefe da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, receberá May a partir das 18h30 (14h30 de Brasília) no Berlaymont, sede do executivo da comunidade, para manter "uma discussão amigável", conforme assegurou na véspera, embora não se mostre otimista quanto a algum progresso.

Nesta quarta, três deputadas do Partido Conservador, o mesmo da primeira-ministra britânica, anunciaram sua saída da formação em consequência da gestão do Brexit para unir-se ao grupo independente criado na segunda-feira por sete deputados que deixaram o Partido Trabalhista.

Ao mencionar as fortes divisões internas no partido, as deputadas anti-Brexit Anna Soubry, Sarah Wllaston e Heidi Allen afirmaram a questão do Brexit "redefiniu" o partido e está "desfazendo todos os esforços para modernizá-lo".

"Fico triste com a decisão: são pessoas que prestaram um serviço dedicado ao nosso partido durante muitos anos e as agradeço por isto", reagiu imediatamente a chefe de Governo conservadora em um breve comunicado.

"A adesão do Reino Unido à UE foi uma fonte de divergências em nosso partido e em nosso país durante muito tempo. Encerrar a adesão depois de quatro décadas nunca seria fácil", completou.

As três deputadas devem integrar o novo grupo independente formado por sete deputados do opositor Partido Trabalhista, que na segunda-feira anunciaram a saída de sua formação, também motivados pela gestão do Brexit e pela falta de determinação do partido para enfrentar as atitudes antissemitas que são atribuídas a alguns de seus membros.

Muitos eleitores conservadores votaram pela saída da União Europeia no referendo de 2016, no qual o Brexit venceu com 52% dos votos.

Mas há uma forte tensão dentro do partido de May entre os que são contrários a deixar o bloco, os que defendem o Brexit moderado - como deseja a primeira-ministra - e os que defendem uma saída 'dura', cortando os laços com Bruxelas.

As saídas deixam o partido de Theresa May com 314 deputados - além do instável apoio de 10 deputados do pequeno partido unionista norte-irlandês DUP -, contra 249 do Partido Trabalhista em uma câmara de 650 cadeiras.

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