Governo brasileiro anuncia gabinete especial para ajuda humanitária à Venezuela com coordenação de americanos

BRASÍLIA - Ontem, o governo brasileiro decidiu formar um gabinete interministerial para tratar da questão da ajuda humanitária na Venezuela junto com os EUA e anunciou terminais de armazenamento nas cidades de Pacaraima e Boa Vista, em Roraima, em apoio ao "governo Guaidó". Os militares venezuelanos entraram em estado de "alerta" por possível invasão.

"O governo brasileiro está mobilizando uma força-tarefa interministerial para definir a prestação de auxílio humanitário ao povo da Venezuela a partir do dia 23 de fevereiro, atendendo ao apelo do presidente encarregado Juan Guaidó", informou o porta-voz da presidência, General Otávio Rêgo Barros. Segundo Rêgo Barros, a ação seria feita com a coordenação dos Estados Unidos e seria recebida pelo autoproclamado presidente Juan Guaidó.

Na reunião, estiveram presentes além do presidente Jair Bolsonaro e do vice General Hamilton Mourão e ministros do governo, representantes dos outros dois poderes: o presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, do Senado, Davi Alcolumbre e do STF, Dias Toffoli. No encontro, o chanceler Ernesto Araújo anunciou a criação de dois centros de distribuição em Roraima: um na capital Boa Vista e outro em Pacaraima, que faz fronteira com a cidade venezuelana de Santa Maria de Uairén.

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General Augusto Heleno (Gab. de Segurança Institucional), Fernando Azevedo e Silva (min. Defesa), Rodrigo Maia (pres. Câmara), General Hamilton Mourão (vice-presidente), Jair Bolsonaro (presidente), Davi Alcolumbre (pres. Senado), Dias Tófolli (pres. STF), Onyx Lorenzoni (min. Casa Civil), Ernesto Araújo (chanceler) e General Santa Cruz (sec. de Governo) se reúnem em Brasília (Foto: Reprodução Twitter)

Segundo o porta-voz presidencial, a ajuda humanitária ofertada ao país vizinho em Roraima seria de origem brasileira, sem suprimentos dos Estados Unidos e que o papel dos americanos seria apenas na coordenação. Além disso, afirmou que a distribuição ficará a cargo de Guaidó: "chegarão caminhões venezuelanos dirigidos por cidadãos venezuelanos".

Ontem a Assembleia Nacional venezuelana, controlada pela oposição, aprovou um dispositivo que autoriza a entrada de ajuda humanitária ao país e ordena que os funcionários militares permitam que o carregamento ultrapasse a fronteira. Qualquer iniciativa vinda do Legislativo é desconhecida pelo Tribunal Superior de Justiça e também não é bem recebida pelo exército.

Dessa vez não foi diferente e a Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), que recusa receber as ofertas humanitárias estocadas Colômbia, se declarou "alerta" para evitar uma violação do território com a entrada de suprimentos anunciada por Juan Guaidó para o sábado. Os oficiais mais uma vez se declararam leais ao presidente Nicolás Maduro e negaram se submeter às ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para desertar do chavismo.

Em resposta a discurso feito ontem por Trump na Flórida sobre a Venezuela, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, disse que os militares "jamais aceitarão ordens de nenhuma potência estrangeira nem de autoridade alguma que não provenha da decisão soberana do povo". Maduro também comentou o duro pronunciamento e chamou o americano de "nazi".

A Venezuela também decidiu fechar ontem sua fronteira marítima com Curaçao. A ilha, que fica 65 km ao norte do país sul-americano, vai receber um carregamento vindo de Miami.