Paris continua em festa

Dados mostram crescimento de atividade turística na capital francesa em 2018, segundo recorde consecutivo

Lionel Bonaventure/AFP
Credit...Lionel Bonaventure/AFP

PARIS - A cidade de Paris bateu novo recorde de turismo em 2018. É o segundo ano consecutivo que a Cidade Luz ultrapassa suas estatísticas, mesmo com queda de visitantes no mês de dezembro devido aos "coletes amarelos", que tomam as ruas da França todos os sábados desde novembro.

O presidente do Comitê Regional de Turismo de Paris (CRT), Eric Jeunemaitre, apresentou os dados que apontam um aquecimento do setor e comemorou: "Foi um ano excepcional para a atividade turística em Paris e na região parisiense". Os hotéis da cidade acomodaram 35 milhões de turistas em 2018, um aumento de 3,6% em comparação a 2017.

Esse aumento se deve principalmente aos visitantes internacionais, que são 1,4 milhão a mais do que no ano anterior. Em termos comparativos, o número de italianos foi o que mais cresceu - quase 30%, seguidos dos japoneses e dos espanhóis. Apesar dos novos visitantes, norte-americanos, britânicos, alemães e chineses despontam como os que mais se fazem presentes em Paris. Juntos, são cerca de oito milhões dos 17,6 milhões de turistas estrangeiros que passam anualmente pela cidade.

Brasileiros são 2,2%

Em 2017, os brasileiros correspondiam a 2,2% dos turistas em Paris. Na direção oposta, se a capital francesa recebe 17 milhões de visitantes internacionais, o fluxo no Brasil não chega nem a sete milhões.

A renda com o turismo também cresceu e registrou 21,5 bilhões de euros, 974 milhões a mais do que em 2017, e 2,3 bilhões a mais do que em 2016. Apesar de baixa registrada de quase 10% de visitantes em dezembro de 2018 devido às mundialmente conhecidas manifestações dos coletes amarelos, a Cidade Luz seguiu quebrando o recorde.

Valérie Pécresse, presidente da região de Ile-de France - que engloba a cidade de Paris -, também comemorou as estatísticas e anunciou ainda estar comprometida com "um novo plano de recuperação focado em três mercados-chave: o francês, o espanhol, o chinês".

Na quinta-feira passada, dia de São Valentim, a cidade foi tomada por corações e casais de apaixonados, que não perdem a oportunidade de tirar uma foto às margens do Rio Sena. Segundo o jornal "Le Monde", Paris está firme com o posto de "cidade do amor", superando um antigo estigma de antes do século XIX, que a colocava como "capital da prostituição" ou "bordel da Europa".

A comemoração dos franceses acompanhou uma tendência global, segundo a Organização Mundial do Turismo: 2018 foi o segundo ano mais forte para o setor turístico desde 2008, que deve crescer mais em 2019 - cerca de 4%. Segundo ranking divulgado pelo Euromonitor em novembro de 2018, Paris foi a sexta cidade mais visitada no mundo em 2017, atrás de Hong Kong (1ª), Bangkok (2ª), Londes (3ª), Singapura (4ª) e Macau (5ª). O Rio de Janeiro é a única cidade brasileira no Top 100, aparecendo apenas na 94ª posição.

Londres x Paris

Com o Brexit, a cidade francesa já pensa em como se reposicionar economicamente devido à "liberdade" que Londres terá sem as restrições da União Europeia. Para o diretor de capital econômico de Paris Ile-de-France, uma organização que promove o capital de investidores e grandes empresas à procura de implantação, Missoffe Alexander, a tendência é que os franceses sejam "referência em investimentos com impacto social e ambiental".

"Londres oferecerá uma certa liberdade das restrições e regras que a Europa representa, incluindo impostos. Paris não tem interesse em jogar na mesma categoria tentando ser mais baixa. Londres continuará sendo uma referência em finanças, mas Paris pode se tornar um lugar alternativo para criação de negócios, criatividade e tudo relacionado a um ambiente de trabalho e vida excepcional", afirmou o executivo em entrevista ao periódico "Liberation".