Governo de Maduro anuncia apoio de cinquenta países na ONU

O governo da Venezuela anunciou nesta quinta-feira (14) na ONU a criação de um grupo de cerca de 50 países como Rússia, China e Irã para defender a Carta das Nações Unidas diante da possibilidade de uma invasão militar dos Estados Unidos.

Rodeado por diplomatas de Rússia, China, Irã, Cuba, Síria, Coreia do Norte, Nicarágua, Bolívia e outros países, o chanceler venezuelano Jorge Arreaza assegurou na ONU que o novo grupo agirá nos próximos dias para defender "os direitos da Carta e de todos os Estados-membros" e chamar a atenção "sobre os perigos que enfrentam nossos povos".

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Posse de Nicolás Maduro. (Foto: Yuri Cortez | AFP)

O embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya, que esteve presente na breve coletiva de imprensa, disse a jornalistas russos que o governo de Maduro "planeja organizar uma conferência internacional em apoio ao direito internacional e em apoio ao governo legal" da Venezuela.

Arreaza mencionou especificamente os princípios da Carta da ONU que garantam o direito à soberania, à autodeterminação dos povos, à integridade territorial e à não ingerência em assuntos internos, assim como a obrigação de não ameaçar a paz e a segurança.

No caso da Venezuela, esses direitos estão "sendo violados de maneira flagrante e aberta", afirmou em referência às ameaças dos Estados Unidos, que não descartam o uso da força para derrubar o presidente Nicolás Maduro.

O embaixador palestino na ONU, Ryad Mansur, também presente na breve coletiva de imprensa, informou que cerca de 50 países formam o grupo, do total de 193 que integram a ONU.

A ONU está dividida entre os cerca de cinquentena países - liderados pelos Estados Unidos - que apoiam o líder opositor Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino em 23 de janeiro, e aqueles que defendem Maduro.

Os Estados Unidos enviaram ajuda humanitária para os venezuelanos na fronteira com a Colômbia, mas o governo de Maduro se recusa a permitir a entrada porque considera isso uma arma política.

"O que está acontecendo na Venezuela hoje é preocupante. Estamos muito preocupados que alguns exaltados possam estar considerando a opção militar", disse o embaixador russo Vasily Nebenzya, possivelmente em referência tácita ao Conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, e emissário para a Venezuela Elliott Abrams.

O presidente Donald Trump alertou nesta quarta-feira que avalia "todas as opções" para solucionar a crise na Venezuela, e disse ter "um plano B, e C, e D, e E, e F" para resolvê-la.

Consultado sobre o que acontecerá em 23 de fevereiro, data-limite imposta por Guaidó para a entrada de ajuda humanitária na Venezuela, Arreaza afirmou que "na Venezuela há um só governo e ninguém pode impor prazos".

Arreaza fez referência aos recentes movimentos de tropas americanas no Caribe denunciados por Cuba, e acusou o governo de Trump de "estar jogando com um novo tipo de guerra psicológica".

A chancelaria cubana denunciou na quarta-feira "movimentos de forças de operações especiais dos Estados Unidos em relação a aeroportos de Porto Rico, República Dominicana e outras ilhas do Caribe, sem o conhecimento de seus governos" para preparar uma "agressão" e "aventura militar" contra a Venezuela "disfarçada de intervenção humanitária".

O governo da Venezuela anunciou nesta quinta-feira, a chegada de cerca de 1.000 toneladas de medicamentos e insumos médicos provenientes de Cuba e da China.

"Já estão no porto da Guaira 64 contêineres com (...) 933 toneladas de insumos para a saúde que têm uma investimento de 25 milhões de euros", disse Alvarado à imprensa oficial.

Delegados do governo de Maduro e ativistas debateram sobre a situação dos direitos humanos na Venezuela, durante uma audiência na Bolívia da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que pediu novamente para visitar o país.

O representante da Venezuela, Larry Devoe, assegurou que seu país é vítima "de muitas fake news" sobre a falta de democracia e ausência de liberdade de expressão e de imprensa.

Já os delegados de organizações civis venezuelanas mencionaram a situação de vulnerabilidade de dirigentes sindicais e veículos de imprensa.