Procuradoria venezuelana abre investigação contra diretores da Citgo nomeados por Guaidó

A Procuradoria venezuelana abriu uma investigação contra os diretores da subsidiária da companhia petroleira estatal venezuelana PDVSA nos Estados Unidos, a Citgo, e os embaixadores nomeados pelo chefe do Parlamento, Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino por 50 países.

"Abrimos uma investigação contra os cidadãos inconstitucionalmente nomeados como diretores da PDVSA e da Citgo (...) por um usurpador de poder", afirmou nesta quinta-feira o procurador William Saab.

O chavista destacou que o Ministério Público iniciou o processo de "abertura de uma série de investigações" diante "de uma escalada que começou com a usurpação na presidência da República", após a autoproclamação de Guaidó em 23 de janeiro.

A investigação também inclui "embaixadores fantasmas" designados "ilegalmente" pelo Parlamento, de maioria opositora, informou o procurador.

Saab ressaltou que os investigados estão envolvidos em uma conspiração "contra a paz dos cidadãos" e advertiu que haverá "consequências legais" para aqueles que aceitaram as nomeações, assim como para Guaidó.

A Assembleia Nacional nomeou representantes diplomáticos em uma dezena de países que reconheceram Guaidó, inclusive os Estados Unidos.

Guaidó anunciou na quarta-feira um novo conselho de administração da Citgo em sua estratégia para sufocar economicamente o governo de Nicolás Maduro.

O Parlamento nomeou Luisa Palacios, Ángel Olmeta, Edgar Rincón, Luis Urdaneta, Andrés Padilla e Rick Esser, sem detalhar o que acontecerá com os atuais executivos da Citgo indicados por Maduro.

"Isso é um escárnio (...) um circo que está sendo montado para atropelar nossa Constituição", afirmou o procurador venezuelano, que já havia anunciado em 29 de janeiro uma investigação contra Guaidó, acusando-o de promover atos para alterar a paz.

Guaidó também está proibido de deixar o país por ordem do Supremo Tribunal de Justiça e a Controladoria investigará seus bens por suposto financiamento externo.

Já os Estados Unidos congelaram as contas e ativos venezuelanos - cujo controle foi entregue a Guaidó - e, a partir de 28 de abril, vai impor um embargo às exportações de petróleo para seu mercado. Caracas calcula em 30 bilhões de dólares o dano à economia devido ao "bloqueio americano".

 

mbj/rsr/lda/mr