Guaidó pressiona Maduro com filial petroleira nos Estados Unidos

O líder opositor venezuelano Juan Guaidó anunciou uma nova junta diretiva da Citgo, filial da petroleira venezuelana PDVSA nos Estados Unidos, em sua estratégia de asfixiar economicamente o governo de Nicolás Maduro, junto com o presidente Donald Trump.

"A nova direção será composta por venezuelanos capazes, livres de corrupção e sem filiação partidária", anunciou no Twitter Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por 50 países.

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Juan Guaidó e Nicolás Maduro. (Foto: Yuri Cortez e Federico Parra | AFP)

O Parlamento, de maioria opositora, presidido por Guaidó, designou nesta terça Luisa Palacios, Ángel Olmeta, Édgar Rincón, Luis Urdaneta, Andrés Padilla e Rick Esser, sem detalhar o que acontecerá com os atuais executivos da Citgno nomeados por Maduro.

"Com essa decisão, não estamos apenas protegendo nossos ativos, mas também evitamos que a destruição continue e que percamos a empresa", acrescentou o opositor de 35 anos.

Washington, com quem Caracas rompeu relações por apoiar Guaidó, congelou contas e ativos venezuelanos, cujo controle entregou a Guaidó, e a partir de 28 de abril embargará a vital exportação de petróleo venezuelano ao mercado americano.

Caracas cifra em 30 bilhões de dólares o dano à economia pelo "bloqueio americano".

No início de seu encontro em Washington com o presidente colombiano, Iván Duque, outro inimigo de Maduro, Trump voltou a advertir nesta quarta-feira que avaliar "todas as opções" com a Venezuela.

O país com as maiores reservas petroleiras do mundo vive a pior crise de sua história recente, que provocou o êxodo de 2,3 milhões de venezuelanos desde 2015, segundo a ONU.

 

Pilar da economia venezuelana, a PDVSA, outrora uma das cinco maiores petroleiras do mundo, está colapsada pela queda de sua produção (1,1 milhão de barris diários, a mais baixa em 30 anos), a corrupção, a moratória, a falta de investimentos e as sanções americanas.

A petroleira, que financia 96% do orçamento do país, exporta aos Estados Unidos cerca da metade de sua produção, o que representa 75% de seu fluxo de caixa. As sanções já são sentidas.

Nesta quarta-feira, a agência americana de energia (EIA) disse que as compras de petróleo venezuelano totalizaram 117.000 barris por dia na semana passada, cinco vezes menos que os 587.000 da semana encerrada em 25 de janeiro.

"Demos um passo à frente na reconstrução da PDVSA", declarou o opositor, que adiantou que pedirá à União Europeia que também congele ativos e contas venezuelanas.

Fundada em 1910 e com sede em Houston, a Citgo tem três refinarias com capacidade para processar 749 mil barris por dia, opera 48 terminais, possui nove oleodutos e uma rede de mais de 5.000 postos de gasolina associados à marca nos Estados Unidos, segundo a empresa.

Maduro, que tem como aliados Rússia, Turquia, Irã e China, assegura que a Venezuela é parte de uma luta geopolítica, na qual os Estados Unidos buscam se apropriar do seu petróleo usando Guaidó como "fantoche".

 

Trump destacou nesta quarta-feira que Maduro está cometendo um "erro terrível" ao impedir a entrada da ajuda humanitária, que Guaidó prometeu que entrará em 23 de fevereiro para aliviar a escassez de alimentos e remédios.

Um carregamento de ajuda enviado pelos Estados Unidos se encontra desde 7 de fevereiro em um centro de armazenamento na fronteiriça cidade colombiana de Cúcuta, perto da poente Tienditas, bloqueado por militares venezuelanos com dois enormes contêineres de carga e uma cisterna.

Maduro, que nega a existência de uma "emergência humanitária" e atribui o desabastecimento às sanções americanas, rejeita receber a ajuda enviada por considerá-la o primeiro passo para uma intervenção militar.

Insistindo nesta quarta-feira na necessidade de manter a pressão sobre Maduro, Duque disse que a Colômbia "continuará oferecendo seu território para a entrada de ajuda humanitária".

"Com o presidente Donald Trump compartilhamos esse objetivo: libertar a Venezuela da ditadura (...) Seguimos trabalhando nessas linhas", manifestou ao fim de sua reunião em Washington.

Antes desse encontro, o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, disse no Twitter que Duque havia ido à Casa Branca para que seus "chefes" lhe dessem uma "boa qualificação no desenvolvimento do plano golpista na Venezuela".

Os Estados Unidos propuseram um projeto de resolução ante o Conselho de Segurança da ONU para que a Venezuela facilite a ajuda humanitária, ao qual a Rússia se opõe.

Uma eventual negociação, proposta por Maduro, é rejeitada por Guaidó, pois assegura que o governante manipulou as negociações no passado para se manter no poder.

Segundo a imprensa italiana, o papa Francisco enviou uma dura carta de resposta ao pedido de mediação de Maduro, na qual lembra a ele que anteriormente não cumpriu os compromissos fixados, mas não fechou as portas.