Novas eleições na Espanha

MADRI - Depois de ver sua proposta de orçamento derrotada no Parlamento da Espanha, o presidente da Espanha, Pedro Sánchez, do PSOE, terá de convocar novas eleições. A derrota, que aconteceu ontem, encerra um ciclo de menos de um ano do PSOE de volta ao poder.

A rejeição do orçamento apresentado pelo líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) se deu por duas causas principais: o racha dos grupos independentistas catalães (ERC e PDeCAT) com o governo - que insistiam em receber de Sánchez o apoio a um novo referendo - e no desagrado dos oposicionistas do Partido Popular (PP) e do Ciudadanos - por um "aumento do gasto social".

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Primeiro-ministro Pedro Sánchez durante debate do orçamento no Parlamento (Foto: Pierre-Philippe Marcou/AFP)

Sánchez chegou ao posto em junho do ano passado após conseguir aprovar uma moção de censura contra ex-presidente conservador Mariano Rajoy, do PP. A inesperada aprovação veio com uma maioria apertada (180 a favor, 169 contra e 1 abstenção) e motivada por uma forte repressão comandada por Rajoy contra as lideranças políticas catalãs. Para se sustentar no governo, Sánchez teve que se aproximar dos independentistas e aí começou o que os governistas chamavam de "chantagem".

Na votação, ERC e PDeCAT apresentaram uma emenda de rejeição total das contas e afirmaram que apenas a retiraria caso o governo reconhecesse o "direito de autodeterminação da Catalunha". Apesar dos esforços do PSOE e do Podemos de tentar reverter a situação, os independentistas se mantiveram firmes.

A data das novas eleições deve ser anunciada amanhã por Sánchez em reunião do conselho ministerial.