EUA ameaçam Maduro

CARACAS - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ontem que o uso do exército na Venezuela é "uma opção" considerada diante da crise política no país sul-americano.

Quando perguntado, durante uma entrevista para o canal americano "CBS", sobre o que o levaria a recorrer ao exército em relação à Venezuela, o presidente disse que não comentaria a questão."Mas é certamente uma opção", reconheceu.

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Apoiadores do chavismo participam de manifestação para pedir a permanência de Maduro no poder e a não intervenção americana (Foto: Yuri Cortez/AFP)

Washington disse claramente há alguns meses que "todas as opções" estavam sobre a mesa, incluindo a militar, no que diz respeito à crise venezuelana.

Trump reconheceu em 23 de janeiro o opositor Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela, após a a autoproclamação do parlamentar.

Vários países do mundo seguiram o mesmo caminho, como Brasil e Colômbia. Ontem, terminou um ultimato dado por Reino Unido, França, Espanha, Alemanha, Portugal e Holanda para que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, convocasse eleições presidenciais antecipadas, caso contrário o bloco reconheceria Guaidó.

No sábado, houve protestos na Venezuela para pedir a saída de Maduro do poder, e também manifestações a favor do regime chavista. O presidente venezuelano acusa os EUA e outros países de interferirem na política venezuelana e de incentivarem um golpe. Mesmo assim, Maduro prometeu antecipar as eleições legislativas para esse ano.

Os Estados Unidos não reconheceram a reeleição do presidente venezuelano, que ocorreu em pleito realizado no ano passado. A oposição boicotou o processo alegando fraudes. Maduro assumiu seu segundo mandato em 10 de janeiro, mas foi declarado um "usurpador" pela Assembleia Nacional, sob controle da oposição. O poder legislativo de fato, no entanto, está em mãos da Assembleia Constituinte.

Ontem, Guaidó anunciou que pedirá ajuda humanitária à União Europeia e proteção para os ativos venezuelanos no exterior. Os EUA confirmaram o envio de socorro. "Vamos exercer nossas competências para atender à crise, restabelecer a democracia e alcançar a liberdade", disse o parlamentar.

 



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