Guaidó designa representantes diplomáticos em uma dezena de países

O Parlamento venezuelano, de maioria opositora, nomeou nesta terça-feira (29) "representantes diplomáticos" em uma dezena de países que reconheceram a autoproclamação do líder legislativo, Juan Guaidó, como presidente interino.

As designações abarcam Argentina, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Equador, Estados Unidos, Honduras, Panamá e Peru, bem como o Grupo de Lima, um bloco que não reconhece o presidente socialista Nicolás Maduro e é integrado por várias dessas nações, inclusive o Brasil.

Guaidó liderou a sessão parlamentar na qual foram aprovadas as indicações e aproveitou para se dirigir aos 2,3 milhões de venezuelanos que, segundo a ONU, deixaram o país desde 2015 devido à grave crise econômica.

"Sentimos a falta de vocês. Aí vão os seus representantes, que estarão zelando por seus interesses, mas também por seu rápido retorno à pátria", disse o congressista sob aplausos.

A Câmara não especificou onde seus enviados despacharão. "Estamos exercendo as competências (do Executivo) para alcançar o fim da usurpação, o governo de transição e eleições livres", afirmou Guaidó.

O deputado se declarou presidente interino em 23 de janeiro, depois que o Congresso qualificou Maduro como "usurpador" ao assumir, em 10 de janeiro, um segundo mandato que - como grande parte da comunidade internacional - considera ilegítimo por ser resultado de eleições "fraudulentas".

A sua autoproclamação durante uma marcha opositora gerou uma grave crise, com protestos e distúrbios que deixam 40 mortos e ao menos 850 detidos, segundo o Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos da ONU.

Macaque in the trees
The president of Venezuela's opposition-led National Assembly Juan Guaido speaks to the crowd during an extraordinary open meeting in front of the headquarters of the United Nations Development Programme (UNDP) in Caracas on January 11, 2019. - Venezuelan President Nicolas Maduro began a new term on Thursday, with the economy in ruins and his regime more isolated than ever as regional leaders declared his re-election illegitimate and shunned his inauguration. (Photo by Yuri CORTEZ / AFP) (Foto: AFP)

Maduro denuncia essa manobra como um golpe de Estado liderado pelos Estados Unidos, que na segunda-feira impôs sanções petroleiras a Caracas - cujo orçamento depende inteiramente do petróleo - e deu a Guaidó o controle das contas da Venezuela nos Estados Unidos.

O Parlamento designou como representante nesse país Carlos Veccio, considerado um dos artífices da estratégia para cercar Maduro junto com Julio Borges, nomeado delegado para o Grupo Lima.