Estado Islâmico ainda longe do fim

WASHINGTON - Segundo o serviço de inteligência dos Estados Unidos, o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) ainda possui "milhares de combatentes" e deve seguir sendo visto como uma ameaça no Oriente Médio e em todo o mundo.

Em relatório enviado ontem ao Congresso americano, o diretor de inteligência Dan Coats alertou que o grupo "mantém oito facções, mais de uma dezena de redes e milhares de partidários em todo o mundo. Apesar de perdas significativas em líderes e territórios, o EI ainda controla milhares de combatentes no Iraque e na Síria".

Apesar da mensagem da Inteligência, o ministro de Defesa dos Estados Unidos, Patrick Shanahan, garantiu que o EI vai perder seus últimos redutos na Síria em poucas semanas. Segundo Shanahan, mais de 99,5% dos territórios ocupados pelo EI no norte da Síria já foram recuperados e "em duas semanas será 100%". Em dezembro, o presidente Donald Trump determinou a retirada dos 2.000 militares americanos mobilizados no norte da Síria porque o grupo "praticamente desapareceu". Segundo ele, a presença dos jihadistas era a "única razão" para estar no país.

O relatório de Coats contradiz o otimismo do governo e aponta que o poder de ataque do grupo ainda está firme. "O EI provavelmente vai continuar realizando ataques externos a partir do Iraque e da Síria contra adversários regionais e ocidentais, incluindo os Estados Unidos", disse.

Coreia do Norte, Irã e Rússia

No relatório, Coats também abordou outras questões relativas à segurança nacional, divergindo de muitas iniciativas de Trump. Segundo o executivo, "é pouco provável que a Coreia do Norte esteja disposta a abrir mão de todas as suas armas nucleares, embora pretenda negociar uma desnuclearização parcial".

O Irã também foi tema. Trump vem adotando uma política cada vez mais dura com o país, afirmando que há planos de nuclearização. No entanto, segundo Coats, "o Irã não está promovendo atividades que encaminhem para uma produção nuclear".

Coats também ressaltou que a Rússia segue sendo uma ameaça ao processo eleitoral americano. "Avaliamos que atores externos vão enxergar as eleições de 2020 como uma oportunidade de avançar nos seus interesses", disse.