Chavistas contra-atacam

ADALBERTO ROQUE/AFP
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CARACAS - O Ministério Público da Venezuela, por meio do Procurador Geral da República, solicitou ontem ao Tribunal Superior de Justiça (TSJ) o congelamento de contas do líder opositor Juan Guaidó, além de sua proibição de saída do país. O pedido veio horas após os Estados Unidos reconhecerem Guaidó como responsável pelos ativos do país sul-americano nos EUA.

Em pronunciamento realizado ontem, o procurador Tarek William Saab pediu a adoção de medidas cautelares contra o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó. "Solicitamos ao TSJ a proibição de saída do país, de movimentar bens e o bloqueio de suas contas bancárias", afirmou.

O Ministério Público justificou a decisão dizendo que a autoproclamação de Guaidó gerou problemas graves à Venezuela e que tais medidas facilitariam a instauração de uma investigação. "A partir de 22 de Janeiro foram incitados atos violentos no país, pronunciamentos de governos estrangeiros e o congelamento de ativos da República, o que implicaria a atribuição de delitos graves que atentam contra a ordem constitucional", anunciou o procurador.

O opositor respondeu que não teme a prisão e disse que já esperava por isso. "Eu não estou subestimando uma ameaça de prisão, mas digo que não há nada de novo sob o sol. Infelizmente, é um regime que não dá respostas aos venezuelanos, a única resposta é perseguição, repressão", disse.

Proximidade com Trump

Em entrevista dada ao canal "CNN em Espanhol" na noite de segunda-feira, Guaidó confirmou que conversou com Donald Trump sobre a crise na Venezuela. "Sim, conversamos com o presidente, assim como com outros da região e do mundo", disse. Trump foi o primeiro mandatário a reconhecer o opositor e, segundo o "The Wall Street Journal", isso seria parte de uma ação coordenada entre o parlamentar venezuelano e Mike Pence, vice-presidente americano. Pence chegou a gravar pronunciamento convocando a população a se manifestar contra Maduro no dia 23 de janeiro.

Ontem, em comunicado, Washington certificou "a autoridade do presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, para receber e controlar certas propriedades em nome do Governo da Venezuela ou do Banco Central da Venezuela retidas pelo Federal Reserve ou por qualquer outro banco assegurado pelos Estados Unidos".

Na conversa com a "CNN", o opositor também comentou uma possível intervenção militar norte-americana, dizendo que "todas as opções estão sobre a mesa", mas ressaltando que sua prioridade é a realização de "eleições livres". No entanto, voltou a rejeitar uma mesa de diálogo. "Nós não vamos nos prestar a um falso diálogo que possa dar oxigênio a Maduro". A afirmação sobre um conflito militar seguiu na mesma linha do conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, John Bolton.

Movimentação de tropas?

Bolton, que instigou aos militares a abandonarem Maduro "pacificamente", foi protagonista de polêmica devido a uma anotação fotografada durante coletiva de imprensa, contendo a frase "5.000 soldados para a Colômbia". O governo americano não comentou o ocorrido e a Colômbia afirmou desconhecer a razão da frase.

As especulações de que os soldados teriam a Venezuela como destino final despertou atenção da Rússia. "Nos causa alarde que os Estados Unidos e seus aliados violem todas as normas internacionais buscando abertamente a derrubada de um governo legítimo", disse p chanceler russo, Sergei Lavrov.