Mujica pede eleições na Venezuela

Montevidéu - O ex-presidente uruguaio Jose Pepe Mujica, ícone da esquerda latino-americana, defendeu a realização de “eleições gerais” na Venezuela como única forma de estabilizar o país. O ex-guerrilheiro pediu compromisso das partes em conflito e atuação do Conselho de Segurança da ONU. Apesar da declaração, ele disse que não acredita que essa saída para a crise consiga ser implementada.

Em seu programa de debates na rádio uruguaia “M24”, Mujica defendeu a união de esforços para a realização de um processo eleitoral geral na Venezuela. “Por mais disparatada que pareça a proposta de eleições totais feita pela Europa, elas, realizadas com observância do Conselho de Segurança da ONU, pelo menos dariam uma saída contra a guerra”, declarou.

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Líder opositor Juan Guaidó reza durante missa pelos mortos nos protestos na Venezuela (Foto: Luis Robayo/AFP)

Mujica disse reconhecer que o “ultimato” dado pelos europeus pode ser considerado uma quebra de soberania, mas a realização de eleições é a única forma de “silenciar os tambores da guerra”. “Reconheço que isso atropelaria a soberania e a autodeterminação, mas, no mundo de hoje, isso não existe para os países que têm muto petróleo. A pior alternativa sempre é a guerra”, afirmou.

O ex-presidente defendeu a proposta do governo uruguaio de coordenar, junto ao México, uma mesa de negociações. “O presidente autoproclamado na Venezuela, ou é muito jovem ou tem os Estados Unidos por trás. Para nós está muito real a afirmação de Trump de que ‘todas as opções estão sobre a mesa’. Só a política pode evitar a guerra, mas tem que vir junto com vontade e compromisso”, defendeu.

Ontem, o chanceler venezuelano Jorge Arreaza afirmou que “existem propostas concretas para facilitar novos processos de diálogo” por parte de Uruguai, México e de representantes da Comunidade do Caribe (Caricom). Os membros do bloco se reuniram na tarde de ontem com o secretário-geral da ONU, António Guterres.

Como forma de aumentar a pressão sobre Maduro, a oposição, liderada por Juan Guaidó, convocou uma grande manifestação para quarta-feira, culminando em um grande ato no sábado - um dia antes de terminar o prazo estabelecido pelos países europeus para que o presidente chavista convoque eleições.

Segundo recentes pesquisas da Idea Big Data, somente 39% dos venezuelanos apoia Guaidó como presidente interino, enquanto 78% quer ver Maduro fora. No entanto, 80% dos venezuelanos rejeita uma intervenção militar comandada pelos Estados Unidos.