EUA bloqueiam acesso de Maduro a dinheiro da venda do petróleo

O governo americano impôs nesta segunda-feira, 28, sanções à estatal do petróleo venezuelana PDVSA. Todo dinheiro obtido com a compra da commoditty pelos Estados Unidos irão para contas bloqueadas que só poderão ser sacadas quando "um governo democraticamente eleito estiver no controle da Venezuela, segundo o secretário do Tesouro Steve Mnuchin.

Pouco antes do anúncio, o líder opositor venezuelano, Juan Guaidó, que na semana passada se declarou presidente interino do país, disse nesta segunda-feira, 28, que deu início ao processo de nomeação de novos diretores da PDVSA, a estatal venezuelana do petróleo, e da Citgo, a filial americana da empresa.

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Nicolás Maduro toma posse para seu segundo mandato na Venezuela. (Foto: Federico Parra / AFP)

Guaidó afirmou também que o Parlamento assumirá o controle de contas do Estado venezuelano em instituições financeiras internacionais.

Reconhecido por grande parte da comunidade internacional, principalmente no continente americano, Guaidó deve com isso ter acesso a recursos financeiros que antes eram controlados pelo presidente Nicolás Maduro.

O senador republicano da Flórida, Marco Rubio, disse à rede de TV CNBC, que o governo americano deve impor sanções à PDVSA. "A família criminosa de Maduro usou a PDVSA para comprar o apoio da cúpula militar", disse Rubio em nota. "O petróleo pertence ao povo venezuelana e o dinheiro obtido com a venda do petróleo agora será repassado ao legítimo governo constitucional."

Para economistas, a crise deve ter, no entanto, grave impacto na população. Maduro, que por enquanto parece ter o respaldo da cúpula das Forças Armadas, acusa os Estados Unidos de planejar um golpe de Estado contra ele ao apoiar a decisão de Guaidó e incentivar outros países a fazerem o mesmo.

Chavismo sem acesso a recursos

A estratégia arriscada e incomum de reconhecer um governo alternativo sem poder de facto tem por trás um objetivo econômico: bloquear o acesso do regime chavista aos recursos provenientes da exportação de petróleo e ativos venezuelanos no exterior, o que traz consigo inúmeras implicações jurídicas e financeiras.

O principal alvo dessa estratégia é a Citgo, a filial americana da PDVSA com sede em Houston, responsável por grande parte das receitas da empresa. Outro alvo são os US$ 1,2 bilhão em reservas de ouro depositadas no Banco da Inglaterra, que correspondem a 15% das reservas em moeda forte do país.