EUA pedem para ONU apoiar Guaidó, e Venezuela rechaça ultimato europeu

Os Estados Unidos pediram neste sábado (26) na ONU a todos os países do mundo para se unirem "às forças da liberdade" em apoio a Juan Guaidó na Venezuela, encorajados por um apoio europeu cada vez mais firme, enquanto Caracas rejeitou o ultimato da Europa para convocar eleições em oito dias.

"Agora é a hora de cada nação escolher de que lado está. Sem mais atrasos, sem mais jogos. Ou está com as forças da liberdade, ou está na liga de Maduro e seu caos", afirmou o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, em uma sessão especial do Conselho de Segurança sobre a Venezuela.

"Chegou a hora de apoiar o povo venezuelano, reconhecer o novo governo liderado pelo presidente interino (Juan) Guaidó e terminar com esse pesadelo. Sem desculpas", insistiu.

Ele também criticou o "Estado mafioso e ilegítimo do ex-presidente Nicolás Maduro" e pediu para todas as nações interromperem suas transações financeiras com o governo de Maduro.

 

Pouco antes da reunião, Espanha, Portugal, França, Alemanha e Grã-Bretanha endureceram o tom e emitiram um ultimato coordenado para Maduro, afirmando que reconhecerão Guaidó como "presidente", se não forem realizadas eleições em oito dias.

A União Europeia anunciou que "tomará medidas", se as eleições não forem realizadas "nos próximos dias".

Na sessão, o ministro venezuelano das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, criticou duramente os países europeus.

"Mas a Europa? Seguindo os Estados Unidos? Nem tanto os Estados Unidos, mas o governo de Donald Trump? A Europa? Nos dando oito dias de quê? De onde vocês tiram que têm algum poder para dar prazos, ou ultimatos, a um povo soberano?", indagou o chanceler Venezuela.

"Ninguém vai nos dar prazos, nem vão nos dizer se fazem eleições, ou não", na Venezuela, afirmou Arreza, que, ao longo do discurso, agitou diversas vezes a Carta das Nações Unidas em uma mão e uma edição em miniatura da Constituição bolivariana na outra.

Um projeto americano de declaração do Conselho de Segurança sobre Venezuela que pedia "apoio pleno" à Assembleia Nacional dirigida por Guaidó foi bloqueado nesta manhã por China e Rússia.

 

Neste sábado, na ONU, a Rússia acusou o governo dos Estados Unidos de querer "orquestrar um golpe de Estado" na Venezuela, mas Washington afirmou que o presidente Nicolás Maduro lidera um "Estado mafioso ilegítimo" e pediu a união de todos países às "forças liberdade" em apoio ao opositor Juan Guaidó.

"A Venezuela não representa uma ameaça à paz e à segurança. (...) é uma tentativa de Washington de orquestrar um golpe de Estado", afirmou o embaixador da Rússia, Vassily Nebenzia, na sessão.

Já o Reino Unido denunciou que "o socialismo de Maduro destruiu todo país", enquanto o Peru lamentou "a ruptura da ordem constitucional que levou a uma grave crise" e fez o país receber pelo menos 700 mil refugiados venezuelanos.

Apoiado pelas Forças Armadas venezuelanas, Maduro garante ser vítima de um "golpe de Estado" orquestrado pelos Estados Unidos. Ainda assim, na sexta-feira, ele se ofereceu para se encontrar com Guaidó, que respondeu que não se prestaria a um diálogo "falso".

O chanceler venezuelano também garantiu que Maduro está disposto a conversar com Washington.

Guaidó agradeceu pela resposta "contundente" da Europa e convocou uma "grande mobilização" para a próxima semana, enquanto Maduro pediu uma "rebelião popular contra o golpe de Estado".