Irã acusa EUA de violar 'direitos dos negros' após detenção de jornalista

O ministro iraniano das Relações Exteriores, Javad Zarif, acusou nesta segunda-feira os Estados Unidos de violar "os direitos civis de homens e mulheres negros", após a detenção de uma jornalista iraniano-americana.

Marzieh Hashemi, uma mulher negra de 59 anos, foi detida em 13 de janeiro no aeroporto de Saint-Louis, no estado do Missouri, segundo fontes ligadas a iraniana Press TV, para a qual trabalha.

Hashemi, nascida nos Estados Unidos com o nome de Melanie Franklin e convertida ao Islã, é mantida sob custódia até que testemunhe em um grande juri sobre uma investigação penal de natureza não revelada, segundo documentos judiciais americanos publicados na sexta-feira.

Os documentos não informam quando será ouvida, mas destacam que a jornalista não foi denunciada por qualquer crime.

"O governo americano precisa explicar qual é o risco sobre Marzieh Hashemi [...] que justifique ficar detida até que termine de testemunhar em um grande juri", escreveu o chefe da diplomacia iraniana no Twitter.

"Cinquenta anos depois do assassinato de MLK [Martin Luther King], os Estados Unidos seguem violando os direitos civis dos homens e das mulheres negros", declarou Zarif recordando o pastor ícone da luta pelos direitos dos negros americanos nos anos 1960 e 1970.

Hashemi, que vive no Irã há 25 anos, viaja com regularidade aos Estados Unidos para visitar um irmão doente e outros membros de sua família.