Crescimento populacional da China desacelera apesar de fim da política do filho único

A população da China cresceu em um ritmo mais lento no ano passado, apesar do fim da política do filho único, mostraram dados oficiais divulgados nesta segunda-feira, gerando temores de que uma sociedade de idosos aumente ainda mais a pressão sobre uma economia já em desaceleração.

O governo da China aumentou o limite para dois filhos por casal em 2016, em uma tentativa de rejuvenescer o país mais populoso do mundo, que tem cerca de 1,4 bilhão de pessoas. Especialistas dizem que poderá retirar o limite no ano que vem.

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China (Foto: Sputnik /Alexander Vilf)

Mas a mudança não parece ter inspirado os casais a terem mais filhos, em parte devido à urbanização e ao alto custo de vida na segunda maior economia do mundo, segundo especialistas.

"As transformações sociais e econômicas de décadas de duração prepararam uma geração inteiramente nova na China, para quem casar e ter filhos não têm mais a importância que tinham para a geração de seus pais", disse Wang Feng, professor de sociologia da Universidade da Califórnia, Irving.

Houve 15,23 milhões de nascidos vivos em 2018, uma queda de dois milhões em relação ao ano anterior, segundo dados do Escritório Nacional de Estatística (NBS).

Com 9,93 milhões de mortes, isso levou a uma taxa de crescimento de 3,81 por mil habitantes em 2018, uma queda em relação aos 5,32 por mil no ano anterior.

Esta taxa é a segunda mais baixa desde a fundação da República Popular da China, disse Wang, acrescentando que o menor crescimento foi em 1960, quando o país estava passando por um período de fome.

Ainda assim, a população total da China aumentou em 5,3 milhões em 2018, chegando a 1,395 bilhão de pessoas, mantendo o título de nação mais populosa do mundo.

O comissário da NBS Ning Jize disse que o crescimento populacional atingiu o auge, mas que o país ainda tem um enorme potencial.

"A taxa de participação trabalhista da China não é considerada baixa mundialmente, mais de 700 milhões das nossas 900 milhões de pessoas (em idade ativa) estão empregadas, e ainda há espaço (para crescimento)", afirmou.

 

A força de trabalho da China - as pessoas de entre 16 e 59 anos - era de 897,3 milhões no ano passado, uma queda de 4,7 milhões em relação a 2017, segundo dados do NBS.

Este é o sétimo ano consecutivo de declínio, observou He Yafu, um demógrafo independente baseado na província de Guangdong (sul).

A força de trabalho deverá cair em até 23% até 2050.

"A baixa taxa de natalidade levou a uma população em envelhecimento. Por um lado, as famílias estão ficando menores, reduzindo o apoio aos idosos; por outro lado, a população idosa está crescendo, o que aumenta a sobrecarga para a população trabalhadora", disse He.

Sinais da queda do crescimento demográfico da China surgiram quando dados divulgados por algumas autoridades locais indicaram uma queda significativa nos nascimentos no ano passado.

Em Qingdao, cidade na província de Shandong - uma das regiões mais populosas da China -, os nascimentos entre janeiro e novembro diminuíram 21%, chegando a pouco mais de 81 mil, em comparação com o ano anterior.

Introduzida em 1979, a política do filho único era principalmente aplicada através de multas, mas também era notória por abortos forçados e esterilizações, o que causou a queda nas taxas de natalidade.

Exceções foram feitas para famílias rurais cujo primogênito era do sexo feminino, e para minorias étnicas.

Em um rascunho do novo Código Civil da China, que deve ser introduzido em 2020, todas as menções ao "planejamento familiar" foram removidas, sugerindo que o limite ao tamanho das famílias poderia ser suspenso.

Mas o aumento do custo de vida desestimulou muitos em idade reprodutiva, disse He, acrescentando que, como em muitos países ao redor do mundo, as taxas de fertilidade são altas nas áreas rurais e mais baixas nas cidades.

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