ONU adverte Sudão sobre respeito aos direitos de manifestantes

O Sudão foi alvo, nesta quinta-feira, de chamados das potências ocidentais no Conselho de Segurança da ONU a respeitar os direitos dos manifestantes contra o governo e investigar a violência que deixou ao menos 24 mortos.

O conselho se reuniu para discutir a situação na conflitiva região sudanesa de Darfur, mas Estados Unidos, França, Reino Unido e outros países levantaram sérias preocupações com a violência nos protestos.

"O uso da força letal" pelas tropas de segurança do Sudão e "das detenções arbitrárias em resposta aos protestos pacíficos é inaceitável e deve parar", disse o embaixador britânico Jonathan Allen, pedindo que os autores das mortes de manifestantes sejam responsabilizados.

"Estamos horrorizados com os informes de que as forças de segurança utilizaram gases lacrimogêneos e violência dentro de hospitais contra pessoas que recebiam tratamento e contra os médicos", acrescentou.

Mais cedo, em Cartum, a polícia disparou gases lacrimogêneos para dissolver uma manifestação que se dirigia ao palácio presidencial para exigir a denúncia do presidente Omar al Bashir.

O Sudão é sacudido pelos protestos que começaram em 19 de dezembro, inicialmente para descarregar a ira provocada por uma alta no preço do pão e que se transformaram em um desafio para o governo de Bashir.

Os choques mataram 24 pessoas, segundo dados oficiais. Mas grupos de direitos humanos garantem que o número de mortos é bem maior.

O embaixador do Sudão disse ao conselho que seu governo está "totalmente comprometido em dar aos cidadãos um espaço para expressar pacificamente seus pontos de vista", mas que agirá para "proteger as vidas e a propriedade pública contra a sabotagem e os incêndios e todas as demais formas de violência perpetradas por alguns manifestantes".

Os Estados Unidos urgiram o Sudão a respeitar o direito à liberdade de associação, pediram a libertação dos manifestantes e ativistas detidos e disseram que as mortes de manifestantes devem ser investigadas rapidamente.

A França pediu a contenção de todas as partes para trazer calma à situação e disse que o governo deve respeitar o direito à liberdade de reunião e à liberdade de expressão.

Já a Rússia afirmou que os protestos são "um problema puramente nacional do Sudão" e não deveriam ser discutidos no Conselho de Segurança.

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