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Pompeo confirma retirada de tropas da Síria e nega 'contradição'

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O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, confirmou nesta quinta-feira (10) que a retirada das tropas americanas da Síria vai acontecer e negou qualquer "contradição" na estratégia do presidente Donald Trump para o Oriente Médio que, no entanto, desestabiliza alguns aliados regionais.

"O presidente Trump tomou a decisão de retirar nossas tropas. Vamos fazer isso", disse ele em coletiva de imprensa no Cairo, acompanhado de seu colega egípcio, Sameh Shukry, sem mencionar um cronograma. 

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Secretário de Estado americano, Mike Pompeo. (Foto: Andrew Caballero-Reynolds | AFP)

Anunciada por Trump em dezembro, a retirada de cerca de 2.000 soldados americanos mobilizados na Síria para lutar contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI) é vista como uma prova das contradições da estratégia de sua administração - ou da falta de estratégia, segundo seus críticos.

Depois de evocar uma retirada imediata e completa, Washington voltou atrás, anunciando, pela voz de Mike Pompeo e do conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton, condições que estão longe de serem cumpridas: a derrota completa do EI, mas também a garantia de que os combatentes curdos que combateram os jihadistas ao lado dos americanos serão protegidos.

Sobre este último ponto, a Turquia voltou a ameaçar nesta quinta-feira adotar uma ofensiva contra aqueles que considera "terroristas".

"Não há contradição" na estratégia dos Estados Unidos, assegurou nesta quinta o secretário de Estado americano, referindo-se a "uma história fabricada pela mídia".

"Nosso compromisso de continuar a prevenir o renascimento do EI é real (...) Simplesmente vamos fazer diferente, em um local específico, a Síria", onde os Estados Unidos intervêm militarmente desde 2014 no âmbito de uma coalizão antijihadista, acrescentou.

 

 

Mais tarde, no Cairo, Mike Pompeo fez um chamado a "superar as rivalidades pelo bem da região" frente ao Irã, país que voltou a ser apontado por ele como o grande inimigo comum.

Em seu discurso na Universidade Americana do Cairo, ele também assegurou que Washington vai continuar a trabalhar por via diplomática para "expulsar" os iranianos da Síria, incluindo depois da retirada dos soldados americanos.

O título de seu discurso já resumiu a mensagem que pretendia transmitir: "Uma força para o bem: a América revigorada no Oriente Médio".

"Em apenas 24 meses, os Estados Unidos, sob a presidência de Trump, reafirmaram seu tradicional papel de força para o bem nesta região", "encontramos nossa voz", "reconstruímos nossas relações", "rejeitamos as falsas aberturas feitas por nossos inimigos", de acordo com trechos divulgados para a imprensa.

Em sua primeira viagem ao exterior desde sua chegada à Casa Branca, em 2017, Donald Trump definiu em Riad uma diretriz para sua política regional: união dos aliados dos Estados Unidos contra o Irã xiita e o reforço da luta contra o EI.

Em paralelo, prometeu alcançar um acordo de paz entre israelenses e palestinos, onde todos os seus antecessores falharam.

Desde então, porém, suas decisões confundiram alguns parceiros.

A partida da Síria, onde o Irã está envolvido militarmente ao lado do governo de Damasco, parece contradizer a intenção declarada de frustrar a influência do Irã e de proteger Israel.

Para isso, Washington confia em seus parceiros mais próximos: Jordânia e Iraque, onde Pompeo esteve nos últimos dias, assim como Egito, onde se encontrou esta manhã com o presidente Abdel Fattah al-Sisi, e os países do Golfo.

Ignorando as denúncias de violações de direitos humanos, Pompeo apresentou o presidente egípcio como "um parceiro forte na luta contra o terrorismo e uma voz corajosa na denúncia da ideologia radical islâmica que a alimenta".

 

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