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Internacional

Governo espanhol se reúne em Barcelona em cabo de guerra com separatistas

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Um dia depois de retomar o diálogo com os líderes regionais, o governo do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, reúne-se nesta sexta-feira (21) em Barcelona, sob um forte dispositivo policial e cercado por muitos protestos de separatistas radicais, que cortaram várias estradas na Catalunha esta manhã.

Com lemas como "seremos ingovernáveis", diversos grupos independentistas convocaram atos para bloquear Barcelona e tentar impedir o que consideram uma "provocação" de Sánchez. Ele assumiu o poder em junho, prometendo um apaziguamento da crise catalã.

Desde as primeiras horas da manhã, os ativistas bloquearam várias estradas na região, incluindo rodovias importantes como a AP7 e a A2, que ligam a região com a França e com Madri. Também cortaram importantes vias de acesso a Barcelona, que já foram reabertas, e algumas artérias da cidade, segundo o serviço regional de tráfego.

Uma primeira pessoa foi detida em uma avenida da cidade com material "que pode ser utilizado para a fabricação de artefato incendiário, ou explosivo", de acordo com a polícia catalã, os Mossos d'Esquadra.

O conselho de ministro começou pouco depois das 9h GMT (7h de Brasília) no palácio de Llotja de Mar, perto do litoral mediterrâneo.

Um forte esquema de segurança foi montado para proteger o local, com várias barreiras erguidas a centenas de metros do edifício para manter os manifestantes longe.

A imagem contrasta com a reunião de quinta-feira entre Sánchez e o presidente da região da Catalunha, o independentista Quim Torra. O encontro terminou com um comunicado conjunto, no qual os dois governos se comprometem a "um diálogo efetivo" para "avançar em uma resposta democrática às demandas dos cidadãos da Catalunha, no âmbito da segurança jurídica".

Durante o encontro, celebrado em um elegante palácio de Barcelona após dias de negociações sobre o formato, os dois Executivos concordaram em prosseguir os contatos com outra reunião em janeiro.

"Cabe a todos nós abrir uma nova etapa", afirmou Sánchez posteriormente, em um jantar com empresários, onde voltou a encontrar Torra.

O encontro foi criticado pela oposição conservadora. Pablo Casado, líder do Partido Popular, criticou Sánchez por tratar Torre "praticamente como um chefe de Estado", e disse ter sentido "vergonha".

Nas ruas, os ânimos também se voltaram contra o Executivo separatista catalão por este diálogo que, segundo foi anunciado, continuará em janeiro.

"O diálogo para mim é um passo atrás. Agora não é o momento de tentar dialogar, esse momento já passou. Parece-me que se tratou apenas de uma encenação para acalmar os ânimos para hoje", declarou à AFP em Barcelona a manifestante Mariona Godia, de 35 anos.