EUA: mexicanos em situação ilegal serão devolvidos durante processo migratório

O governo de Donald Trump anunciou, nesta quinta-feira (20), que enviará para o México os imigrantes em situação ilegal que cruzarem a fronteira sul, enquanto a Justiça estiver trabalhando nos respectivos casos.

Segundo o governo, o objetivo é evitar que "desapareçam" em solo americano.

"Imigrantes que tentarem burlar o sistema para entrar no nosso país ilegalmente não poderão desaparecer nos Estados Unidos, onde muitos evitam as audiências judiciais", às quais devem comparecer para acompanhar seus casos de pedido de refúgio, anunciou a secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen.

"Eles vão esperar pela decisão de uma corte migratória no México. (A política de) 'Prender e soltar' será substituída pela de 'prender e devolver'", disse Nielsen, em um comunicado.

O anúncio é feito no contexto do fracasso dos esforços do governo Trump para deter uma onda migratória - fundamentalmente de centro-americanos - que busca entrar nos Estados Unidos.

No último ano, muitos conseguiram atravessar a fronteira para pedir refúgio, forçando os Estados Unidos a analisar seus casos, algo que pode levar meses, ou anos. Por esta razão, os migrantes são soltos.

Trump ordenou recentemente que os pedidos de refúgio de migrantes da América Central - principalmente da Guatemala, de Honduras e de El Salvador - sejam automaticamente negados.

Os tribunais aceitaram, porém, queixas questionando a legalidade dessa ordem executiva, o que causou seu bloqueio.

Depois do anúncio, a embaixada do México afirmou que vai garantir os direitos dos migrantes que forem enviados para casa dos Estados Unidos enquanto tramitar seu pedido de refúgio. A missão diplomática esclareceu, porém, que o país não vai aceitar pessoas deportadas pelos Estados Unidos.

O México "garantirá que as pessoas estrangeiras que tiverem recebido sua intimação gozem plenamente dos direitos e liberdades reconhecidos na Constituição", declarou o encarregado de negócios da embaixada mexicana em Washington, José Antonio Zabalgoitía, em entrevista coletiva.

O diplomata especificou que esta medida foi adotada por motivações "humanitárias".

"A medida se refere apenas aos solicitantes de asilo e refúgio nos Estados Unidos", especificou Zabalgoitía.

"Não vamos aceitar deportados pelos Estados Unidos", esclareceu ele na entrevista coletiva.

 

Nielsen afirmou que a decisão de quinta-feira vai reduzir a migração clandestina, "ao retirar um dos principais incentivos para que as pessoas se lancem na perigosa viagem aos Estados Unidos".

"Isso também nos permitirá concentrar a atenção naqueles que estão realmente fugindo da perseguição" das violentas gangues da América Central.

Nielsen afirmou que o governo mexicano, que agora será forçado a lidar com o problema dos migrantes, já foi oficialmente informado da decisão.

"Em resposta, o México tomou a decisão independente de implementar medidas essenciais do seu lado da fronteira", acrescentou.

"Esperamos que os migrantes afetados recebam vistos humanitários para permanecerem em solo mexicano, se candidatarem a empregos e receberem outras proteções enquanto aguardam uma decisão legal dos Estados Unidos", disse ela.

Zabalgoitía pediu que "não se transforme os migrantes em uma bola de pingue-pongue".

O diplomata disse que o México "reconhece que o governo dos Estados Unidos tem o direito de determinar sua política migratória conforme seus interesses", mas que a aplicação dessa medida está orientada para os migrantes.

"Colocamos o bem-estar dos migrantes em primeiro lugar. Não vamos colocá-los em uma situação de dupla vulnerabilidade. Preferimos recebê-los", afirmou.

"Em uma situação onde você tem essa confrontação, alguém tem que ser o adulto na sala", alfinetou.