Chefe do governo espanhol quer retomar diálogo com separatistas catalães

O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, quer retomar o diálogo com os separatistas da Catalunha reunindo-se, nesta quinta-feira (20), com o presidente regional Quim Torra numa Barcelona blindada, onde na sexta-feira o governo espanhol se reunirá em meio a protestos.

Depois de semanas de crescente tensão entre Madri e os separatistas catalães, Sánchez encontrará Torra no que será sua segunda reunião desde a realizada em 9 de julho, algumas semanas após o líder socialista chegar ao poder.

"Estamos muito distantes, esta é uma realidade", disse Elsa Artadi, porta-voz do governo catalão, que espera "um mecanismo estável" para um diálogo que produza resultados concretos

Investido presidente de Governo em parte graças aos votos dos separatistas catalães no Parlamento, Sánchez tem conduzido uma política de apaziguamento sobre a crise catalã, que continua mesmo depois da fracassada declaração de independência em outubro 2017.

Mas, embora os contatos tenham se multiplicado, o clima piorou nas últimas semanas.

Os separatistas catalães, sem os quais Sánchez carece de uma maioria parlamentar, retiraram seu apoio depois que a Procuradoria pediu entre 7 e 25 anos de prisão a seus líderes, que serão julgados no início de 2019 por tentativa de secessão da Espanha.

E o próprio Sánchez, pressionado pela direita e pela extrema direita, elevou o tom.

No Congresso dos Deputados na semana passada, Sánchez comparou os separatistas aos defensores do Brexit, afirmando que "não lhes resta senão mentiras para sustentar suas posições políticas".

O presidente catalão tem adotado, por sua vez, uma postura cada vez mais agressiva, incentivando os protestos e evocando como um exemplo para a Catalunha a Eslovênia, cuja independência da Iugoslávia em 1991 deixou 62 mortos.

Neste contexto, os quatro separatistas catalães presos em greve de fome desde o início do mês abandonaram, nesta quinta-feira (20), o seu protesto, segundo a sua porta-voz Pilar Calvo.

"A decisão de interromper a greve de fome foi tomada porque eles consideram que cumpriram os objetivos, que eram a conscientização e sacudir o Tribunal Constitucional para que este respondesse aos recursos apresentados", explicou esta porta-voz em coletiva de imprensa em Barcelona.

Durante a greve, o Tribunal Constitucional analisou dois recursos apresentados pelos separatistas sobre a prisão preventiva e a suspensão dos cargos de deputados de alguns deles.

Embora a sentença tenha sido desfavorável para os seus interesses, a simples resolução os permite levar os casos ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos de Estrasburgo, explicou a porta-voz.

 

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