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Iêmen tem novas violações da trégua

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A trégua permanecia frágil, nesta quinta-feira, perto do porto estratégico de Hodeida, no oeste do Iêmen, após novos combates esporádicos durante a noite, enquanto o país aguarda a chegada de observadores da ONU para consolidar o cessar-fogo entre as forças pró-governo e os rebeldes huthis.

A trégua nesta frente da guerra que assola o país mais pobre da Península Arábica foi anunciada há uma semana na Suécia. Após entrar em vigor na terça-feira, possibilitou uma diminuição das operações militares sem, no entanto, impedir as trocas de tiros.

Na quarta-feira, a coalizão liderada pela Arábia Saudita, que intervém militarmente ao lado das forças do governo, ameaçou retomar sua ofensiva em caso de "violações" persistentes, instando a ONU a agir rapidamente.

Apesar das declarações, a cidade de Hodeida, cujo centro continua sob controle rebelde, permaneceu calma.

Mas posições das forças pró-governo foram atacadas durante a noite pelos husthis, segundo uma autoridade militar.

As forças pró-governo, que registraram quatro feridos, responderam, e a troca de tiros durou cerca de trinta minutos.

No site de informações do movimento Ansarullah, os rebeldes acusaram as forças pró-governo de atirar no hotel Al-Rafahia, que eles controlam, no centro de Hodeida.

No sul da província de Hodeida, as localidade Al-Tahatya, Hays e Beit al-Faqih também registraram confrontos durante a noite.

As Nações Unidas, que mediaram as negociações na Suécia, são pressionadas a ajudar a implementar os termos do acordo o mais rapidamente possível.

O chefe dos observadores da ONU, encarregado de monitorar a trégua, entrou em contato com o comitê conjunto iemenita para aplicar a trégua, informou nesta quinta-feira à AFP um membro deste comitê.

"O general Patrick Cammaert cobrou esforços para acalmar a situação e evitar violações", disse o general Ahmed al-Kawkabani, um dos representantes do governo iemenita neste órgão que também inclui delegados rebeldes.

Segundo ele, Patrick Cammaert insistiu no "desejo da comunidade internacional de concluir com êxito o acordo de trégua em Hodeida".

De acordo com a ONU, que deseja uma rápida mobilização dos observadores, o general Cammaert é esperado na sexta-feira em Amã.

"Sua viagem para o Iêmen dependerá da organização logística", disse à AFP uma fonte da ONU em Amã.

Segundo diplomatas, cerca de 30 a 40 observadores poderiam ser enviados a Hodeida, uma cidade onde vivem cerca de 600 mil pessoas.

Os membros do Conselho de Segurança da ONU conduzem há quase uma semana negociações sobre um projeto de resolução para endossar a reunião na Suécia e formalizar a presença de observadores no país em guerra.

Segundo uma fonte diplomática, um último ponto de bloqueio apareceu na quarta-feira. Enquanto os 15 membros do órgão concordaram com o texto proposto pelo Reino Unido, a Rússia contestou que não deveria acusar especificamente os países que apoiam os huthis.

 

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