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Iêmen: pausa nos combates em Hodeida mas trégua ainda corre risco

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Os combates foram interrompidos nesta terça-feira (18) na cidade de Hodeida, principal cenário da guerra no Iêmen, ainda que continue sob risco a trégua acordada pela ONU em 13 de dezembro.

Embora inicialmente existisse a previsão de aplicação imediata da trégua, o acordo de cessar-fogo foi afetado pela repetição dos combates entre as forças pró-governo e os rebeldes huthis, que controlam esta cidade estratégica no oeste do país.

A ONU anunciou que a trégua deveria entrar em vigor à meia-noite local. Nesse mesmo horário, entretanto, ainda eram registrados intensos combates, reflexo da instabilidade da situação.

"A situação volta a estar totalmente calma desde as 3h locais (22h de Brasília) em Hodeida", disse uma fonte militar.

Em conversa por telefone com a AFP, vários moradores de Hodeida, localidade sob controle dos rebeldes huthis, também confirmaram a interrupção dos disparos a partir desse horário.

Não é possível, no entanto, determinar se a interrupção dos combates se deve à entrada em vigor da trégua, ou se é apenas uma questão de horário. Os moradores locais relatam que os combates costumam começar ao anoitecer e terminam pouco antes do amanhecer.

De acordo com uma fonte da ONU, um comitê formado por representantes dos dois lados em conflito e dirigido pelas Nações Unidas deve viajar para Hodeida nas próximas 24 horas para supervisionar o cumprimento da trégua.

"O comitê de coordenação começará a trabalhar nas próximas 24 horas", explicou à AFP a fonte da ONU, que pediu anonimato. "As duas partes afirmaram que respeitarão o cessar-fogo", completou.

 

"Esperamos voltar à normalidade e a uma segurança estável, sem agressões, nem bombardeios aéreos", declarou à AFP Amani Mohamed, moradora de Hodeida.

Mohamed Al-Saikel, outro habitante da cidade, também demonstrou otimismo: "Tenho esperança de que se aplique o cessar-fogo em Hodeida e outro no conjunto do país".

Hodeida é uma cidade portuária estratégica, pela qual circula a maior parte da ajuda humanitária que entra no país mais pobre do Golfo, afetado por uma grave crise alimentar após quatro anos de guerra devastadora.

As forças pró-governo, com o apoio da aviação da Arábia Saudita, iniciaram em junho uma ofensiva para retomar esta localidade, sob controle dos rebeldes huthis, respaldados pelo Irã.

Após vários meses de combates que deixaram centenas de mortos e ameaçaram ampliar a crise humanitária, o enviado da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, multiplicou os esforços para iniciar as negociações de paz na Suécia e obter um cessar-fogo.

A aplicação da trégua em Hodeida ainda gera muitas dúvidas, porém, já que, desde o início da guerra no Iêmen, foram negociadas sete tréguas pela ONU que acabaram desrespeitadas.

 

Após o acordo alcançado em 13 de dezembro, intensos combates e bombardeios aéreos voltaram a ser registrados em Hodeida.

Segundo o acordo, os huthis devem deixar os portos de Hodeida, Al-Salif e Ras Isa em 31 de dezembro, enquanto as forças rebeldes e pró-governo têm de abandonar a cidade de Hodeida em 7 de janeiro, explicou um membro da coalizão pró-governo liderada pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes.

Obtida de forma quase inesperada, a trégua de quinta-feira passada foi alcançada sob pressão da comunidade internacional, que deseja o fim da guerra no Iêmen. Segundo a ONU, o país enfrenta a pior crise humanitária do mundo.

Mais de 10.000 pessoas morreram na guerra do Iêmen, e milhões de habitantes estão ameaçados pela fome extrema após quatro anos de conflito, acrescenta a ONU. Várias ONGs acreditam, contudo, que o balanço real de vítimas é muito mais elevado.