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Confira os fatos que marcaram o mundo em 2018

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A cúpula histórica entre os líderes americano, Donald Trump, e norte-coreano, Kim Jong-un, e a eleição do ultradireitista Jair Bolsonaro à Presidência do Brasil são alguns dos acontecimentos que marcaram 2018.

Confira a seguir um resumo dos principais acontecimentos do ano:

Em 4 de março, o ex-agente duplo russo Serguei Skripal e sua filha, Yulia, são encontrados inconscientes na cidade inglesa de Salisbury, envenenados por um agente nervoso, o Novichok. Os dois são hospitalizados em estado crítico e permanecem internados por várias semanas.

Londres acusa os serviços de Inteligência militar russos, os GRU, e emite um mandado de prisão europeu contra dois russos suspeitos do ataque.

O caso provoca uma grave crise diplomática entre Moscou e o Ocidente e desencadeia uma onda de expulsões mútuas de diplomatas, além de novas sanções contra a Rússia.

Em junho, outras duas pessoas são contaminadas com Novichok, e uma delas vem a falecer.

 

Em 14 de abril, o Exército anuncia a reconquista dos territórios rebeldes de Ghuta Oriental, perto de Damasco, após dois meses de uma campanha sangrenta que deixou mais de 1.700 mortos e a imposição de acordos de evacuação aos insurgentes.

O anúncio coincide com uma ofensiva militar de Estados Unidos, França e Reino Unido em represália a um ataque químico em Duma, pelo qual os ocidentais acusam o regime, que nega qualquer responsabilidade.

Desde então, o governo de Bashar al-Assad, apoiado pela Rússia, encadeia vitórias militares contra rebeldes e jihadistas, chegando a controlar dois terços do território. Mas a Síria, devastada desde 2011 por uma guerra generalizada (mais de 360.000 mortos e milhões de deslocados e refugiados), continua sendo um país fragmentado e em ruínas.

 

Em abril, Cuba marcou o fim de uma era com a substituição dos irmãos Fidel e Raúl Castro na Presidência do país por Miguel Díaz-Canel, um homem nascido depois de 1959. Com ele, inicia-se a chegada ao poder de uma geração diferente da dos históricos líderes da Revolução. Mesmo assim, Raúl Castro mantém o comando do governista e único Partido Comunista.

O novo governo iniciou uma reforma constitucional que deve terminar em 24 de fevereiro com uma Carta Magna que reconhece a propriedade privada, o papel do mercado e legaliza o casamento entre pessoas de mesmo sexo, submetido a um referendo popular.

 

Em 8 de maio, Donald Trump anuncia a saída dos Estados Unidos do acordo nuclear assinado em 2015 entre o Irã e as grandes potências para evitar que a República Islâmica desenvolva a arma atômica e decide o restabelecimento de sanções contra Teerã e as empresas com vínculos com o país.

Trump considera o acordo frouxo demais sobre o tema nuclear e não inclui os mísseis balísticos do Irã, nem suas intervenções diretas, ou indiretas, em vários conflitos regionais, como os da Síria e do Iêmen.

Em agosto, Washington impõe uma primeira rodada de sanções econômicas e, em 5 de novembro, restabelece as medidas punitivas contra os setores petroleiro e financeiro iranianos.

 

Em 14 de maio, a inauguração da embaixada americana em Jerusalém, que supõe o reconhecimento por Washington desta cidade como capital de Israel, deflagra um banho de sangue na Faixa de Gaza. Sessenta palestinos morrem atingidos por disparos israelenses.

A tensão é elevada desde 30 de março, data do início de uma mobilização anti-israelense, a "Marcha do Retorno", protagonizada por residentes de Gaza na fronteira com Israel.

 

Em 20 de maio, em eleições antecipadas, o presidente Nicolás Maduro é reeleito até 2025 com a abstenção de mais de 50% dos votantes e em meio à pior crise da história moderna da Venezuela.

As eleições foram boicotadas pela oposição e desconhecidas pelos Estados Unidos, pela União Europeia e por uma dezena de países latino-americanos, colocando em dúvida o reconhecimento de Maduro quando assumir o novo mandato, em 10 de janeiro.

O FMI projeta uma inflação de 1.350.000% para 2018 e de 10.000.000% para 2019, uma espiral que combina com a derrubada da produção petroleira e elevou a 2,3 milhões o número de venezuelanos que fugiram do país desde 2015.

 

Em 1º de junho, o novo chefe de governo italiano, Giuseppe Conte, presta juramento junto com seus dois vice-primeiros-ministros: Luigi Di Maio, líder do Movimento 5 Estrelas (antissistema) e Matteo Salvini, chefe da Liga (extrema direita), ministro do Interior.

Salvini bloqueará os portos italianos às embarcações humanitárias que resgatam migrantes no Mediterrâneo.

Em abril, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, ícone da direita populista, e que concentrou sua campanha no repúdio à imigração, saiu fortalecido com uma vitória esmagadora de seu partido nas legislativas.

 

Em 2 de junho, o socialista Pedro Sánchez assume o poder na Espanha depois de desbancar o conservador Mariano Rajoy (2011-2018) com uma inédita moção de censura apoiada pela esquerda radical e os nacionalistas e separatistas bascos e catalães.

À frente do governo mais minoritário da história recente do país (84 deputados do total de 350) - e o mais feminino -, Sánchez lança uma agenda inovadora: exumação do ditador Francisco Franco de seu mausoléu, aproximação da Catalunha, aumento do salário mínimo...

Mas os obstáculos são múltiplos e crescem os boatos de eleições antecipadas, especialmente após o baque dos socialistas na Andaluzia, reduto histórico que poderiam perder pela primeira vez para uma coalizão de direita e de extrema direita.

 

Em 12 de junho, o presidente americano, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, reúnem-se em uma cúpula em Singapura e assinam um documento, no qual o líder norte-coreano se compromete com uma "desnuclearização completa da península da Coreia".

Em fevereiro, as duas Coreias haviam aberto a via para uma retomada das relações diplomáticas, ao permitir que uma delegação do Norte fosse aos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeonchang-2018, celebrados no Sul. Em abril, Pyongyang anuncia o fim dos testes nucleares e com mísseis intercontinentais.

As negociações sobre o programa nuclear norte-coreano não parecem avançar, porém.

 

Em 13 de junho, forças pró-governamentais, apoiadas pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos, lançam um ataque contra os rebeldes huthis em Hodeida, principal porta de entrada da ajuda humanitária no Iêmen.

O conflito armado que desde 2014 opõe o governo, apoiado por Riad, e os rebeldes, respaldados por Teerã, deixou pelo menos 10.000 mortos e levou 20 milhões de pessoas à beira da fome extrema.

Em 13 de dezembro, em diálogos de paz promovidos pela ONU na Suécia, o governo e os rebeldes alcançaram acordos sobre uma série de tréguas em várias regiões devastadas.

 

Em 1º de julho, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador arrasou em sua terceira tentativa de chegar à Presidência do México, com mais de 30 milhões de votos, um resultado histórico.

O presidente "teimoso", como ele próprio se define, e que oferece conferências diárias de mais de uma hora, tem um horizonte pontuado por duros obstáculos: uma violência que deixou mais de 200 mil mortos e 34.000 desaparecidos em pouco mais de uma década; milhares de imigrantes centro-americanos estacionados na fronteira com os Estados Unidos; e uma relação tensa com o presidente americano, Donald Trump, que insiste em construir um muro para conter o fluxo de imigrantes em situação ilegal.

 

Em 10 de julho, termina a evacuação dos 13 membros de uma equipe juvenil de futebol que passaram 17 dias presos em uma caverna inundada na Tailândia, após uma operação de resgate internacional extremamente complicada e que custou a vida de um socorrista tailandês.

 

Em julho e agosto, a Europa vive asfixiada por uma onda de calor, que chega com incêndios florestais mortais na Grécia, na Espanha e em Portugal. A Ásia também é vítima do forte calor, assim como o oeste dos Estados Unidos, onde a Califórnia sofre com vários incêndios de grandes proporções.

Segundo a ONU, o ano de "2018 se anuncia como o quarto mais quente já registrado. As concentrações de gases causadores do efeito estufa na atmosfera atingem níveis recordes, e as emissões seguem aumentando".

 

Em 2 de outubro, o jornalista saudita Jamal Khashoggi, crítico do príncipe-herdeiro Mohamed bin Salman e exilado nos Estados Unidos, desaparece depois de entrar no consulado de seu país em Istambul. Após negar reiteradamente, Riad reconhece sua morte e esquartejamento dentro desse edifício, em uma operação "não autorizada".

O assassinato gera indignação mundial e arranha a imagem da Arábia Saudita. Mohamed bin Salman nega qualquer envolvimento, apesar de várias acusações.

 

Em 28 de outubro, o Brasil elege presidente o controverso Jair Bolsonaro, candidato da extrema direita.

Durante a campanha eleitoral, o candidato foi prolífico em discursos de ódio e de violência, e acabou ele mesmo sendo vítima de uma facada em setembro.

 

Em 6 de novembro, as eleições de meio de mandato colocam a Câmara de Representantes nas mãos dos democratas, mas reforçam a maioria republicana no Senado.

O final da campanha é ofuscado pelo pior ataque antissemita da história do país, com 11 mortos em uma sinagoga de Pittsburgh, e é marcado pelo envio de supostas bombas caseiras para personalidades democratas. Enquanto isso, milhares de migrantes se dirigem de Honduras para a fronteira entre México e Estados Unidos.

 

Em 17 de novembro, tem início uma série de protestos dos "coletes amarelos" (assim denominados devido à peça florescente que todo o motorista deve usar em caso de emergência na França) contra a alta no preço dos combustíveis e a redução do poder aquisitivo.

Durante várias semanas, os manifestantes bloqueiam rodovias em todo país.

Em 1º de dezembro, as manifestações degeneram em cenas de guerrilha urbana em vários bairros abastados de Paris.

Após suspender a elevação no preço dos combustíveis, o presidente Emmanuel Macron anuncia em 10 de dezembro várias medidas sociais para tentar acalmar a situação.

 

Em 25 de novembro, a União Europeia e o Reino Unido selam um histórico acordo de divórcio, após 17 meses de duras negociações.

Em 10 de dezembro, porém, a primeira-ministra britânica, Theresa May, anuncia o adiamento da votação sobre o acordo, prevista para o dia seguinte no Parlamento, devido às profundas divisões dos deputados e ao temor de uma provável derrota.