Combates prosseguem em Hodeida apesar de trégua no Iêmen

Confrontos esporádicos ocorriam na noite desta sexta-feira em Hodeida, os primeiros nesta cidade portuária do oeste do Iêmen desde a entrada em vigor do cessar-fogo acertado na reunião de paz na Suécia, segundo a população local.

Um habitante do leste de Hodeida contactado por telefone pela AFP disse ter ouvido troca de tiros intermitentes, e outro residente escutou disparos no sul deste porto crucial para a entrada da ajuda humanitária no Iêmen.

As Nações Unidas obtiveram nesta quinta-feira uma trégua em várias regiões devastadas do Iêmen, ao final das consultas de paz na Suécia.

Em virtude deste acordo duramente negociado, um cessar-fogo "imediato" entrou em vigor em Hodeida, principal frente do conflito e porto do Mar Vermelho pelo qual transita a principal ajuda humanitária e importações.

A retirada dos combatentes de Hodeida deve ocorrer nos "próximos dias".

A cidade de Hodeida, controlada pelos rebeldes huthis, foi alvo de um assalto das forças pró-governo apoiadas pela Arábia Saudita e pelos Emirados Árabes Unidos, pilares de uma coalizão militar que entrou em 2015 no conflito para ajudar o governo iemenita contra os rebeldes.

Os huthis controlam vastas regiões do país, entre elas a capital Sanaa.

Nesta sexta-feira, os rebeldes denunciaram na TV Massira que as forças pró-governo dispararam obuses contra setores controlados pelos rebeldes na província de Hodeida.

Os rebeldes também acusaram a coalizão militar liderada pelos sauditas de realizar ataques aéreos na noite desta sexta-feira contra várias regiões desta província.

A Arábia Saudita celebrou nesta sexta-feira o acordo entre os beligerantes iemenitas sobre uma trégua no país e pediu aos huthis que se "comprometam com uma solução política para o conflito".

 

O enviado especial da ONU para o Iêmen, Martin Griffiths, defendeu nesta sexta-feira a criação de um regime de vigilância competente para o país agora que as partes acertaram uma trégua em Hodeida.

"Um regime de vigilância forte e competente não é apenas essencial, é algo que se necessita urgentemente, e as duas partes nos informaram que estão de acordo", declarou Griffiths.

"Permitir que a ONU tenha um papel líder nos portos é o primeiro passo crucial (...). A ONU terá um papel de liderança na gestão e na inspeção dos portos do Mar Vermelho de Hodeida, Salif e Ras Issa".

Segundo diplomatas, o secretário-geral da ONU, António Guterres, deverá propor em breve ao Conselho de Segurança um mecanismo de vigilância do porto e da cidade de Hodeida com entre 30 e 40 observadores.

Não se exclui que alguns países enviem observadores ao terreno "em missão de reconhecimento" antes da adoção formal de uma resolução, revelaram diplomatas, que citaram Holanda e Canadá.

A trégua em Hodeida, porta de entrada da ajuda e de alimentos no Iêmen, deve aliviar um país onde 14 milhões de pessoas estão sob a ameaça da fome.

A guerra no Iêmen, palco da pior catástrofe humanitária do planeta segundo a ONU, já deixou mais de 10 mil mortos.