'Coletes amarelos' decididos a manter protestos, apesar de pedidos de calma

Os "coletes amarelos" pareciam determinados a voltar às ruas no sábado (15) na França, para o quinto sábado de protestos, apesar das advertências do governo, que teme novos distúrbios e o impacto das manifestações na economia.

Este movimento de franceses mobilizados a favor de uma justiça social e contra a política do governo, convocou para sábado novos protestos na capital francesa e em outras cidades do país.

E isto apesar dos anúncios de segunda-feira do presidente Emmanuel Macron - que incluem um aumento em cem euros do salário mínimo - e os chamados a suspender as manifestações em um contexto de ameaça terrorista, reativado pelo atentado de Estrasburgo, que deixou quatro mortos na terça-feira, segundo o último balanço.

Nesta sexta-feira (14), o presidente Emmanuel Macron declarou que a França "precisa retornar ao seu funcionamento normal".

"Nosso país precisa de calma, de ordem", afirmou Macron em Bruxelas, onde participa da cúpula da União Europeia.

"Respondi" às demandas dos "coletes amarelos", disse o chefe de Estado francês ao final do encontro. "O diálogo (...) não se faz com ocupação do espaço público e violência", acrescentou.

Mas seus apelos podem não ser suficientes para desativar esta crise que sacode o país há um mês.

"Não é o momento de se render, devemos continuar!", exortou na quinta-feira um dos iniciadores do movimento, Eric Drouet, em um vídeo no Facebook. "O que Macron fez na segunda-feira nos faz querer continuar, porque ele começou a ceder e vindo dele é incomum".

No Facebook, principal canal de mobilização desse movimento descentralizado, milhares de pessoas responderam aos apelos para se manifestarem pelo quinto sábado consecutivo.

"O terrorista foi morto, já não há qualquer obstáculo para se manifestar. Coletes amarelos unidos no sábado!", dizia uma mensagem em um dos grupos do movimento na rede social. O autor do ataque ao mercado de Natal de Estrasburgo (nordeste), Chérif Chekatt, foi morto pela polícia na quinta-feira à noite.

No entanto, após quatro sábados de protestos, dos quais três derivaram para violência com barricadas e saques, alguns são a favor de uma trégua.

A associação Robin des Bus, que levou em seus ônibus "coletes amarelos" do norte da França até Paris, cancelou as viagens programadas para o sábado. É um sinal de que os manifestantes "não têm intenção de ir a Paris", disse seu presidente, Thibault Vayron, à AFP.

"Chegou o momento do diálogo", disseram os autodenominados "coletes amarelos livres".

 

 

 

Após o ataque em Estrasburgo, várias vozes se levantaram para exigir que os protestos cessassem.

No último sábado, 136 mil pessoas se manifestaram em toda a França, segundo dados do Ministério do Interior. Esse dia resultou em um número recorde de prisões (cerca de 2.000), mais de 320 feridos e danos materiais em várias cidades, como Paris, Bordeaux e Toulouse (sudoeste).

"Eu preferiria que as forças de segurança fizessem seu verdadeiro trabalho, isto é, perseguir os criminosos e diminuir o risco de terrorismo em vez de ficar nos piquetes em rotatórias", declarou nesta sexta o ministro do Interior, Christophe Castaner.

Além disso, uma figura do partido conservador, Xavier Bertrand, expressou preocupação com "novas cenas de violência". "Toda vez que os 'coletes amarelos' querem se manifestar, outros vêm atrás deles (...) e destroem tudo".

Diante desse risco, Paris anunciou um importante dispositivo policial para sábado, com 8.000 agentes e 14 veículos blindados.

Seis pessoas morreram e centenas ficaram feridas em acidentes relacionados aos bloqueios e manifestações que começaram em 17 de novembro.

O descontentamento se espalhou para outros setores, incluindo estudantes e agricultores. O segundo maior sindicato francês, CGT, convocou uma mobilização para exigir o aumento nos salários.

Os novos protestos preocupam os comerciantes, que foram afetados por essa revolta às vésperas das festas de final de ano.

"É dramático. Dezembro normalmente representa 25% das minhas vendas", lamentou Anne Sicher, proprietária de uma loja de acessórios em Bordeaux.

"Manifestações que degeneram [em violência], transporte paralisado e agora a ameaça terrorista" são para esta comerciante os fatores que "minam o clima festivo do Natal e impedem que as pessoas façam suas compras com toda a tranquilidade".

A economia francesa já foi afetada. A atividade no setor privado caiu ao seu nível mais baixo em dois anos e meio em dezembro, de acordo com um índice provisório publicado pela IHS Markit.

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