May descarta 'avanço imediato' na UE para salvar o acordo do Brexit

A primeira-ministra britânica, Theresa May, busca nesta quinta-feira "garantias" da União Europeia (UE) para salvar o acordo do Brexit, embora tenha descartado um "avanço imediato" de parceiros compreensíveis, mas firmes em sua oposição a modificar o pacto.

"Não espero um avanço imediato, mas o que espero é que possamos começar a trabalhar o mais rápido possível nas garantias que são necessárias", declarou May, que tenta conseguir o apoio da UE para fazer que um Parlamento britânico hostil ao acordo aprove o texto em janeiro.

A primeira-ministra, que na véspera sobreviveu a um voto de confiança dentro de seu partido conservador, falou em Bruxelas, após reunião com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, e seu colega irlandês, Leo Varadkar.

"Eu sei das preocupações na Câmara dos Comuns sobre a questão do 'backstop'", declarou May em referência ao mecanismo acordado para evitar uma fronteira para bens entre a Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte e proteger o acordo de paz da Sexta-Feira Santa de 1998.

May assegurou que vai abordar a situação com seus parceiros europeus, ao quais "irá apresentar as garantias políticas e jurídicas" que, na sua opinião, são necessárias "para apaziguar as preocupações dos membros do Parlamento sobre o assunto".

A reunião de cúpula de quinta-feira e sexta-feira da UE encerra uma semana de drama para o Brexit, na qual Theresa May conseguiu convencer os deputados de seu próprio partido (Conservador) a não a afastarem do poder nem das negociações com Bruxelas.

Apesar de sua vitória em Londres, a rejeição no Parlamento britânico ao acordo de divórcio permanece patente e o mecanismo de último recurso acordado para evitar uma fronteira para bens na ilha da Irlanda cristaliza a oposição.

Diante de uma possível derrota, a premier adiou a votação prevista para terça-feira passada ao mês de janeiro e viajou por vários países europeus para obter "garantias" de seus sócios de que o mecanismo, conhecido como 'backstop', não será utilizado.

Os defensores mais ferrenhos do Brexit temem que o país fique atrelado indefinidamente às redes de um "território alfandegário comum" com a UE, caso Londres e Bruxelas não alcancem uma solução melhor para sua futura relação, que deve começar no máximo em janeiro de 2023.

Os 27 sócios da Grã-Bretanha na União Europeia mantêm a posição de não modificar o acordo de divórcio nem a declaração política sobre a futura relação, negociados durante 17 meses e aprovados em 25 de novembro, mas afirmaram que desejam apoiar May.

"Não vejo como podemos mudar o acordo de divórcio. Claro, podemos falar sobre se há garantias adicionais", disse a chefe do governo alemão, Angela Merkel. "Estamos dispostos a ajudá-la", garantiu, por sua vez, o primeiro-ministro de Luxemburgo Xavier Bettel.

A primeira-ministra britânica deve apresentar sua visão da situação à tarde para seus colegas, que discutirão as opções sem ela no final de um jantar de trabalho. "É tudo uma questão de esclarecimento esta noite", disse o holandês Mark Rutte.

"Temos várias ideias, mas não uma estratégia desenvolvida. Tudo dependerá de seu discurso antes do jantar", declarou um diplomata europeu, para quem a solução consistirá mais em um exercício de comunicação, já que não estão dispostos a retornar aos textos.

O projeto de declaração de seis parágrafos preparado pelos europeus afirma que que o 'backstop' "só seria implementado por um curto período e apenas pelo tempo necessário", segundo fontes diplomáticas europeias.

O acordo de divórcio já explicita que o 'backstop' seria aplicado apenas "temporariamente", até a obtenção de um acordo posterior, o que levou uma fonte diplomática a questionar se uma declaração jurídica sobre sua interpretação solucionaria "o problema do Reino Unido".

O Conselho está disposto, no entanto, a "estudar se pode oferecer novas garantias" em janeiro, que "não entrem em contradição com o acordo de retirada", segundo uma fonte europeia. Tal enfoque em duas etapas busca evitar que os defensores do Brexit "comecem a pedir mais após alguns dias".

O "melhor método para tornar 'backstop' supérfluo é chegara um acordo sobre a futura relação o mais rápido possível", afirmou uma fonte do governo alemão, em referência a um eventual futuro acordo comercial, político e de segurança entre UE e Reino Unido.

 

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