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Centros de votação desertos marcam eleição de vereadores na Venezuela

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Centros de votação vazios marcaram as eleições de vereadores neste domingo na Venezuela.

"É um dia triste, porque as pessoas decidiram não votar", disse à AFP Beatriz Pallarés, de 56 nos, em um centro de votação no centro de Caracas, em Chacao, um tradicional reduto da oposição. "Eu nunca vou desistir dos meus direitos", acrescentou após votar.

Imagens semelhantes foram observadas em vários setores de Caracas percorridos pela AFP.

"Há muita insatisfação", disse outro eleitor, Jaime Caicedo, sobre o processo que, segundo analistas, será marcado por alta abstenção por desconfiança na votação, desqualificação dos partidos de oposição e exaustão diante de uma grave crise socioeconômica.

Depois de votar no oeste da capital, Maduro celebrou que os venezuelanos "estão exercendo seu direito de votar livremente".

O poderoso líder chavista Diosdado Cabello assegurou que não houve as filas do passado porque o sistema de votação automatizado é ágil e evita a aglomeração.

 

Com essa eleição, o chavismo espera fortalecer seu controle institucional com a eleição de 2.459 vereadores em 335 câmaras municipais. Hoje a oposição controla 80 assembleias.

O caminho parece aberto. A previsão é de uma nova vitória do governo Maduro, já que os principais partidos de oposição foram considerados inabilitados pelo órgão eleitoral para participarem da disputa, em meio a profundas divisões entre os setores políticos contrários ao presidente.

"O oficialismo vai capturar a maioria das câmaras municipais com um nível de abstenção histórico", comentou o diretor do instituto de pesquisa Delphos, Félix Seijas, em conversa com a AFP.

Protegidos cerca de 150 mil soldados e policiais, os centros de votação foram fechados às 22:00 GMT (20:00 horário de Brasília).

As eleições deste domingo foram convocadas pela Assembleia Constituinte, integrada apenas pelos deputados chavistas. Este ano, o órgão também convocou eleições para prefeito, governador e presidente, com novas regras e fora dos prazos estipulados, com amplas vitórias para o governista Partido Socialista Unido da Venezuela.

A oposição acusa Maduro de ter colocado os poderes eleitoral e judicial a seu serviço, enquanto a liderança das Forças Armadas frequentemente declara sua "lealdade" ao líder socialista.

Surgida entre os protestos da oposição que deixaram cerca de 125 mortos em 2017, a Constituinte convocou a eleição de prefeitos, governadores e presidente com novas regras, ignorando os prazos estipulados, com vitórias esmagadoras do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o que aprofundou os rachas na oposição. Essas divisões reapareceram neste domingo.

"As 'eleições' de hoje são um escárnio em que o país não acredita, é por isso que os centros estão vazios", escreveu no Twitter Julio Borges, ex-presidente do Parlamento, exilado em Bogotá.

Em contraste, Henry Falcon, o único líder de peso que desafiou Maduro nas eleições presidenciais, pediu para participar. "Não podemos ficar em casa enquanto outros resolvem nossos problemas", disse ele.

Diosdado Cabello, que preside o Constituinte, fez uma piada sobre o que ele considera as desculpas da oposição pela perda de apoio. "Certamente eles vão dizer não só que não há eleitores, mas que há fraude".

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