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Governo iemenita ameaça com ofensiva se rebeldes não deixarem Hodeida

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O governo iemenita ameaçou nesta sexta-feira (7), em plena negociação com os rebeldes, lançar uma ofensiva militar para libertar o porto estratégico de Hodeida, principal ponto de entrada da ajuda humanitária no país em guerra, se os insurgentes se negarem a partir.

Essas negociações, patrocinadas pelas Nações Unidas, começaram na quinta-feira na Suécia, a fim de tentar encaminhar à paz este país devastado por quatro anos de guerra, que deixaram mais de 10.000 mortos e levaram 14 milhões de pessoas à beira da fome.

Mas nesta sexta os rebeldes rejeitaram a exigência do governo. "Não está na ordem do dia", declarou à AFP Abdulmalik al-Ajri, membro da delegação dos rebeldes huthis.

As conversas foram realizadas na presença das delegações do governo iemenita - apoiado pela sunita Arábia Saudita -, e os rebeldes xiitas - apoiados pelo Irã.

As negociações, sobre as quais nem beligerantes nem observados têm grandes esperanças, começaram com novas exigências das duas partes.

O governo do Iêmen exige que os rebeldes se retirem da cidade estratégica portuária de Hodeida, que conquistaram em 2014.

"Estamos atualmente em negociações em resposta aos chamados nesse sentido da comunidade internacional, da ONU e do mediador da ONU. Continuamos analisando maneiras de obter a paz", disse nesta sexta-feira o ministro da Agricultura, que está na Suécia.

"Mas se eles (os rebeldes) não adotarem medidas construtivas, temos muitas opções, incluindo uma intervenção militar", acrescentou Othman al-Mujalli.

 

 

A situação em Hodeida centra a atenção da comunidade internacional, que teme uma fome generalizada em todo o país se os confrontos continuarem.

Os rebeldes ameaçaram impedir que aviões da ONU utilizem o aeroporto da capital Sanaa - que os huthis controlam desde 2014 - se as negociações na Suécia não alcançarem a retomada do tráfego aéreo civil.

O aeroporto internacional de Sanaa foi fechado ao tráfego comercial civil após a intervenção militar, em março de 2015, de uma coalizão liderada pela Arábia Saudita em apoio ao governo iemenita.

Essas negociações começaram na quinta-feira com um chamado do mediador da organização, Martin Griffiths, a aproveitar esta "oportunidade única" para avançar até a paz.

No entanto, uma fonte diplomática do Conselho de Segurança da ONU disse à AFP que tem "poucas esperanças" de que essas negociações permitam avanços concretos.

Os rebeldes huthis, que surgiram em 2014 de seu reduto no norte do Iêmen, logo tomaram o controle de grandes regiões do país, incluindo a capital Sanaa e a cidade de Hodeida.

Aos poucos, o conflito se transformou em uma guerra indireta entre os grandes rivais regionais saudita e iraniano, e arrastou milhões de civis ao exílio e à fome.

Quase 80% da população do Iêmen, ou seja, cerca de 24 milhões de pessoas, precisam de algum tipo de "proteção e assistência humanitária", segundo a ONU.

No conjunto do país, há 18 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar, das quais 8,4 milhões sofrem de "fome extrema".