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França vive tensão máxima diante de novos protestos dos 'coletes amarelos'

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As imagens de dezenas de estudantes ajoelhados e com as mãos para o alto, detidos após os distúrbios, causaram comoção na França nesta sexta-feira (7), na véspera de novos protestos dos "coletes amarelos", para os quais se deve mobilizar quase 90.000 policiais.

Críticos às reformas do governo na área da Educação, os estudantes se somaram à onda de insatisfação que toma a França e bloquearam, desde o início da semana, a entrada de mais de 100 instituições de ensino.

Em um instituto de Mantes-la-Jolie, um subúrbio ao oeste de Paris, 151 pessoas foram detidas na frente do centro depois que os manifestantes, incluindo vários encapuzados, enfrentaram a polícia e queimaram dois automóveis.

Rapidamente, essas imagens viralizaram nas redes.

"Nada justifica esta humilhação", reagiu o presidente do Partido Socialista, Olivier Faure.

O ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, admitiu que as imagens são "impactantes", mas pediu que "se ponha as coisas em seu contexto".

 

 

O clima social e político que se respira no país é extremamente tenso.

Os protestos começaram em 17 de novembro contra o aumento dos impostos sobre combustíveis, mas, desde então, tornou-se um amplo movimento contra Emmanuel Macron e o maior desafio de sua presidência.

Para este sábado, o quarto consecutivo de mobilização nacional, as autoridades preveem um dispositivo "excepcional" para evitar que se repitam as cenas de violência da semana passada. As imagens de carros incendiados, vitrines de lojas destruídas e confrontos de manifestantes e policiais deram a volta ao mundo.

Muitos dos "coletes amarelos" se manifestam sem violência, mas alguns se radicalizaram, em meio a membros de grupos de extrema direita e extrema esquerda, que invadiram os protestos e enfrentam as forças da ordem.

Ao todo, 89.000 policiais estarão mobilizados em todo território, sendo oito mil apenas em Paris. Na capital francesa, a Torre Eiffel e dezenas de lojas espalhadas ao longo da Champs-Élysées vão fechar por medida de precaução, a apenas duas semanas do Natal. Os principais museus, incluindo o Louvre, também fecharão as portas.

Além disso, pela primeira vez em uma década, veículos blindados da Gendarmeria serão enviados para a capital.

"Tudo indica que elementos radicais, facciosos, voltarão a tentar se mobilizar" no sábado, declarou o ministro do Interior, Christophe Castaner, justificando um dispositivo de segurança "em larga escala".

"Nestas últimas três semanas nasceu um monstro que fugiu das mãos de seus progenitores", completou.

 

 

Os manifestantes estão furiosos com o aumento do custo de vida, atribuído aos impostos considerados excessivos, e acusam Macron, um ex-banqueiro de investimentos, de favorecer os ricos com sua política.

Em sua maioria procedentes da França rural e das pequenas localidades, os manifestantes dizem que Macron não entende suas preocupações. Alguns pedem sua renúncia.

Os agricultores também convocaram manifestações para a próxima semana. Os caminhoneiros também haviam marcado uma greve por tempo indeterminado, mas, nesta sexta, os sindicatos decidiram suspendê-la por considerar que se conseguiu garantir a demanda de remuneração referente às horas extras.

Nessas três semanas de incidentes relacionados aos protestos, quatro pessoas morreram, e centenas ficaram feridas.

Nesta sexta, políticos e autoridades reiteraram seus apelas à calma, pedindo aos manifestantes que evitem a violência.

Macron, que registra seu pior índice de aprovação desde sua chegada ao poder há um ano e meio (23%), deve se pronunciar sobre a crise no início da semana que vem.

"Não quer jogar lenha na fogueira", antes das manifestações do sábado, disse à AFP o presidente da Assembleia Nacional, Richard Ferrand, para justificar seu silêncio na véspera dos protestos.

 

bur-meb/es/erl/tt