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Detenção de executiva da Huawei a pedido dos EUA irrita governo chinês

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A China manifestou a Washington e Ottawa, nesta quinta-feira (6), sua irritação com a detenção, no Canadá, da diretora financeira e filha do fundador do gigante das telecomunicações Huawei, a pedido dos Estados Unidos, em um caso que pode afetar a recente trégua comercial bilateral.

"Meng Wanzhou foi detida em 1º de dezembro, em Vancouver. Os Estados Unidos pedem sua extradição", indicou o Ministério canadense da Justiça.

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Huawei (Foto: WANG ZHAO / AFP)

Segundo a imprensa local, as autoridades americanas suspeitam de que Meng tenha violado as sanções americanas impostas ao Irã.

A Huawei superou a Apple no segundo trimestre deste ano, tornando-se o segundo fabricante de smartphones do mundo, e tem a Samsung, líder do mercado, na mira.

O anúncio dessa detenção acontece depois de Estados Unidos e China acordarem uma trégua na guerra comercial entre ambos os países. A decisão foi tomada após uma reunião dos presidentes Donald Trump e Xi Jinping, no âmbito do G20, na Argentina.

"Exigimos das duas partes (Estados Unidos e Canadá) que nos esclareçam o quanto antes o motivo desta detenção", afirmou nesta quinta-feira o porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores, Geng Shuang, que pediu a soltura "imediata" de Meng Wanzhou.

A embaixada chinesa em Ottawa já havia emitido uma nota de protesto contra a detenção da diretora, pedindo sua libertação.

"A parte chinesa se opõe firmemente e protesta energicamente contra esse tipo de ação que prejudica gravemente os direitos humanos da vítima", indicou em um comunicado, insistindo em que Meng "não violou qualquer lei americana, ou canadense".

- 'Nenhum crime' -

Nesta quinta-feira, a Huawei disse que desconhece qualquer suposto "delito" cometido por sua diretora financeira.

"A companhia recebeu muito pouca informação sobre as acusações e não tem conhecimento de nenhum delito por parte de Meng [Wanzhou]", disse a Huawei em um comunicado, no qual afirmou que a companhia cumpre todas as leis aplicáveis nos países nos quais opera.

A notícia desta detenção derrubou as Bolsas asiáticas nesta quinta, em especial as chinesas: Xangai fechou em baixa de 1,68%, e Hong Kong, 2,47%.

Meng é filha do fundador em 1987 da Huawei, Ren Zhengei, ex-engenheiro do Exército Popular de Libertação da China.

Em abril, The Wall Street Journal informou que as autoridades americanas abriram uma investigação por suspeita de violação por parte da Huawei às sanções impostas por Washington ao Irã.

As autoridades americanas suspeitam de que Huawei tenha exportado, desde 2016, produtos de origem americana para o Irã e outros países alvo de sanções, violando as leis dos Estados Unidos.

- US$ 1 bilhão de multa -

Outro gigante chinês das telecomunicações, a ZTE foi sancionada este ano pelo governo Trump por ter violado o embargo americano contra o Irã.

Em meados de abril, Washington proibiu todas as vendas de componentes eletrônicos americanos para a ZTE. A empresa teve de encerrar parte de suas atividades, o que pôs sua sobrevivência em risco. Superou a situação, porém, pagando uma multa de US$ 1 bilhão.

Vários membros do Congresso em Washington consideram que a Huawei é "uma ameaça para a segurança dos Estados Unidos" e invocam as relações do grupo "com o Partido Comunista Chinês e com os serviços de segurança e de Inteligência chineses".

O excepcional desenvolvimento do gigante chinês gera receio, e alguns países ocidentais e asiáticos rejeitam a instalação em suas redes da tecnologia 5G, que tem caráter estratégico.

Assim, no verão (hemisfério norte), a Austrália proibiu a Huawei de fornecer 5G para redes no país por temores de espionagem. A Nova Zelândia fez o mesmo em novembro, mas garantiu, oficialmente, que se trata de uma decisão tecnológica.