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Internacional

Rússia rejeita acusações dos EUA sobre descumprimento de tratado nuclear

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A Rússia denunciou, nesta quarta-feira (5), as acusações "sem fundamento" dos Estados Unidos, que afirmam que Moscou violou o Tratado INF sobre os mísseis nucleares de médio alcance assinado entre os dois países em 1987.

A reação de Moscou acontece um dia depois das ameaças do secretário de Estado americano, Mike Pompeo, que apresentou à Rússia prazo de 60 dias para cumprir "plenamente" o tratado sobre armas nucleares firmado em plena Guerra Fria. Caso isto não aconteça, o governo dos Estados Unidos abandonará o acordo.

"Reiteram acusações sem fundamento", declarou a porta-voz do ministério russo das Relações Exteriores, Maria Zakharova.

"Não se apresentou qualquer prova das acusações americanas", acrescentou Zakharova, que considerou que o tratado INF é um "ponto-chave da estabilidade e da segurança estratégica internacional".

Já o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, declarou aos jornalistas que "distorceram os fatos para camuflar o verdadeiro objetivo da retirada americana desse tratado", sem entrar em detalhes.

O tratado INF voltou às manchetes em outubro, quando o presidente americano, Donald Trump, anunciou que Washington encerraria o acordo e voltaria a desenvolver armas nucleares.

Na segunda-feira, Trump, que muda de opinião com frequência, demonstrou vontade de trabalhar com Rússia e China para acabar com a "incontrolável" corrida armamentista.

As ameaças de Washington, no entanto, não impediram o comandante do Estado-Maior do exército russo, o general Vasili Guerasimov, de anunciar que Moscou aumentaria o arsenal nuclear.

"Um dos fatores mais destrutivos que complicam as relações internacionais são as manobras dos Estados Unidos para tentar manter seu papel dominante nos assuntos internacionais", afirmou o general em um comunicado.

"É com este objetivo que Washington e seus aliados adotam medidas complexas, coordenadas, para conter a Rússia e desacreditar seu papel nas questões internacionais", completou.

O tratado INF (Intermediate Nuclear Forces Treaty) foi assinado em 1987 pelo último dirigente da URSS, Mikhail Gorbachov, e o presidente americano na ocasião, Ronald Reagan.

O acordo, que suprimia o uso de uma série de mísseis de entre 500 e 5.000 km de alcance, encerrou a crise provocada nos anos 1980 pelo deslocamento dos SS-20 soviéticos com ogivas nucleares na Europa oriental e dos mísseis americanos Pershing na Europa ocidental.

Após uma reunião de ministros da Defesa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o secretário-geral da instituição, Jens Stoltenberg, afirmou que a "Rússia tem, agora, uma última oportunidade de voltar a cumprir o tratado INF, mas também devemos começar a nos preparar para um mundo sem o tratado".

A Otan adotou uma declaração que acusa Moscou de ter violado o tratado e de pôr a segurança euro-atlântica em risco.

A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, fez um apelo nesta quarta-feira para que Rússia e Estados Unidos preservem o pacto.

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