Riad permite retirada de huthis feridos no Iêmen antes de diálogos de paz

Pelo menos 50 rebeldes huthis feridos no Iêmen devem ser evacuados nesta segunda-feira (3) para Omã, em um avião fretado pela ONU, um sinal de "confiança" prévio aos diálogos de paz - anunciou a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita que intervém no Iêmen.

A iniciativa deve acelerar a realização das negociações para pôr fim a quatro anos de guerra, consideram os especialistas.

A questão da retirada de insurgentes feridos estava por trás do fracasso dos diálogos de setembro em Genebra. Os huthis acusaram a Arábia Saudita, que controla o espaço aéreo iemenita, de ter impedido a saída de feridos e de não ter dado as garantias necessárias para que a delegação rebelde viajasse em total segurança.

Em nota, o coronel saudita Turki al-Maliki, porta-voz da coalizão antirrebeldes, declarou que a autorização de hoje se deu "a pedido" do mediador da ONU para o Iêmen, o britânico Martin Griffiths, "por razões humanitárias" e como uma "medida para gerar confiança" antes das conversas na Suécia.

Griffiths chegou nesta segunda-feira a Sanaa, a capital iemenita. Ele desembarcou no aeroporto internacional de Sanaa, mas não falou com a imprensa.

Um avião fretado pela ONU deve aterrissar em Sanaa para levar os combatentes huthis feridos para Mascate, capital do sultanato de Omã. Estarão acompanhados de três médicos iemenitas e de outro da ONU, de acordo com o comunicado da coalizão.

Embora a Arábia Saudita já tenha sido acusada de ser um obstáculo para a solução do conflito no Iêmen, o coronel Maliki ressaltou que a coalizão apoia os esforços de Griffiths "para alcançar uma solução política", assim como as medidas de tipo "humanitário". O objetivo é aliviar o sofrimento da população.

 

Riad está submetida à pressão dos grandes países ocidentais desde o assassinato de Jamal Khashoggi, jornalista crítico ao príncipe herdeiro, Mohamed bin Salman, cometido por agentes sauditas em 2 de outubro no consulado do reino em Istambul.

Além disso, a situação humanitária se agravou consideravelmente nos últimos meses no país, onde milhões de civis estão ameaçados pela fome, à margem dos combates.

A batalha entre as forças pró-governo (apoiadas pela coalizão) e os rebeldes huthis (apoiados pelo Irã) pelo controle da cidade portuária de Hodeida (oeste), em novembro passado, levou as organizações humanitárias a soarem o alarme.

Essa cidade é o ponto de entrada de mais de 75% das importações e da ajuda internacional no Iêmen.

Desde então, uma trégua relativa entrou em vigor em Hodeida. Além disso, o governo e os rebeldes disseram estar dispostos a participar dos diálogos de paz na Suécia.

Recentemente, o enviado especial da ONU conversou com autoridades de ambos os lados, em separado, para preparar as negociações.

Desde março de 2015, os combates no Iêmen deixaram cerca de 10.000 mortos e mais de 56.000 feridos. Segundo as ONGs, o número de vítimas é muito maior.

 

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