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López Obrador, o esquerdista 'tenaz' que promete mudar o México

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López Obrador, eleito o primeiro presidente de esquerda do México, é conhecido como AMLO e também por sua tenacidade, que neste sábado tomará posse após meses de transição.

"Sou teimoso, isso é de domínio público. Com esta mesma convicção, atuarei como Presidente da República. Beirando a loucura de maneira obcecada", declarou Obrador, de 65 anos, homem de personalidade afável e fala pausada, em sua terceira tentativa de alcançar a presidência.

Seus admiradores confirmam. "Creio que é um homem, cuja qualidade principal é a tenacidade. É um homem incansável", afirma o historiador mexicano Paco Ignacio Taibo II.

Seu avô era de Ampuero, na Espanha, e chegou ao México como exilado na década de 1930, sob o governo de Lázaro Cárdenas, que nacionalizou a indústria do petróleo, e que é uma das figuras históricas que López Obrador admira.

Seguindo seus passos, afirmou que vai revisar a reforma do setor do petróleo aprovada pelo presidente em final de mandato Enrique Peña Nieto, que abriu ao capital privado.

Cresceu em Villa Tepetitán, município de Macuspana, Tabasco, em uma família de classe média. Seus pais tinham uma mercearia que ele frequentava à tarde. Agora ele se declara cristão.

López Obrador buscou se distanciar da classe política que governou o México por quase um século e se apresentou como um combatente contra a corrupção.

Prometeu ser um presidente austero: não usará aviões reservados a presidentes e pretende converter a residência presidencial em um centro cultural.

"Vou doar metade do salário atual do Presidente da República", assegurou.

Essa luta contra a corrupção calou fundo entre os mexicanos, fartos dos excessos e dos escândalos da administração de Enrique Peña Nieto, do Partido Revolucionário Institucional (PRI).

"Amarrou um projeto que equilibra três coisas: a guerra contra o narcotráfico, a guerra contra a corrupção e a guerra contra o projeto neoliberal que muito prejudicou o México", explicou Taibo ao falar sobre o sucesso de AMLO nas eleições de 1º de julho.

López Obrador chama seu movimento de "a quarta transformação do México" e se compara a heróis nacionais como Benito Juárez (1806-1876), figura-chave na construção da República no século XIX.

No entanto, muitos criticam sua falta de propostas concretas para governar em plena era de Donald Trump.

"Nunca foi claro. Centrou qualquer solução em torno de sua figura e capacidade pessoal de resolver as coisas", comenta o analista político Fernando Dworak.

Algumas críticas vão de "populista" a "grande perigo para o México" pelo receio de que possa seguir os passos de Hugo Chávez na Venezuela.

Muitas de suas propostas para mudança radical no México dispararam alguns alarmes, principalmente entre empresários como o magnata Carlos Slim.

Seu projeto para o período 2018-2024 inclui reduzir os salários dos funcionários públicos em 50%, não aumentar impostos nem a dívida pública e o fim da reforma energética.

López Obrador adora frases polêmicas e exalta sua vasta experiência, embora formada mais por derrotas do que por vitórias.

Em 2006 e 2012, concorreu à Presidência do México, sem sucesso.

"El Peje", como é apelidado, teve uma carreira política meteórica, primeiro nas fileias do PRI, depois unindo-se ao Partido da Revolução Democrática (PRD).

Em 1994, tentou, em vão, o governo de seu estado natal. Muitas vezes foi dado como morto na política, mas sempre deu a volta por cima, nunca deixando de contar com o apoio de sua mulher e de seus três filhos.

 

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