Ex-embaixadora francesa Zourabichvili lidera presidenciais na Geórgia

A ex-embaixadora francesa Salomé Zourabichvili, que conta com o apoio do partido no governo "Sonho Georgiano", liderava, nesta quarta-feira (28), o segundo turno das presidenciais na Geórgia, segundo as pesquisas de boca de urna.

A franco-georgiana Salomé Zourabichvili não conseguiu vencer no primeiro turno, o que foi percebido como uma desaprovação do partido no poder do bilionário Bidzina Ivanishvili.

Contudo, segundo a pesquisa feita pelo instituto americano Edison Research, Zourabichvili venceria no segundo turno com 55% dos votos, enquanto seu adversário, Grigol Vashadze, obteria 45%.

Trata-se da última eleição presidencial direta nesta antiga república soviética do Cáucaso antes de passar a um regime parlamentar.

O presidente tem poderes simbólicos, mas a eleição prefigura o duelo entre o "Sonho Georgiano" e a oposição visando as legislativas de 2020.

Os colégios eleitorais, que abriram às 08h00 locais (02h00 de Brasília), fecharam às 20H00 locais (14h00 de Brasília). Os primeiros resultados são aguardados durante a noite.

Segundo a comissão eleitoral central, a participação alcançou os 19,6% ao meio-dia.

Zourabichvili, ex-diplomata francesa de 66 anos, obteve no primeiro turno 38,64% dos votos contra 37,73%, do opositor Vashadze, de 60 anos e apoiado pelo Movimento Nacional Unido - partido do ex-presidente Mikheil Saakashvili, agora no exílio - e outras 10 formações políticas.

 

Uma vitória de Grigol Vashadze marcaria uma mudança na paisagem política da Geórgia e daria fim à dominação do "Sonho Georgiano", no poder desde 2012.

É por esta razão que o ex-primeiro-ministro e bilionário Bidzina Ivanichvili, oficialmente aposentado da política em 2013, saiu do silêncio após o resultado de Zourabichvili. "Sei que vocês não estão satisfeitos porque suas vidas não melhoraram", declarou na televisão.

"É muito importante que os dirigentes criminosos, que instauraram a anarquia e roubaram do tesouro (público), não cheguem ao poder. Gostaria que as forças na liderança pensassem nas pessoas", declarou à AFP Guiorgui Djolokhava, um pedreiro de 62 anos.

No sentido contrário, Bondo Iamanidze, uma aposentada de 69 anos, apoia o "Sonho Georgiano" e votará em Zourabichvili, já que é "uma diplomata experiente", e Ivanishvili, "um grande filantropo".

O resultado das eleições determinará "o progresso ou retrocesso da jovem democracia georgiana", explicou à AFP o analista Géa Vassadzé.

Tanto Zourabichvili como Vashadze têm um perfil parecido, ao serem partidários de uma aproximação com UE e Otan.

Entretanto, "sua passagem pelo Ministério de Assuntos Exteriores mostra que Vashadze é mais próximo dos Estados Unidos, enquanto a ex-embaixadora francesa Zourabichvili tem maior afinidade com a UE", explica Vassadzé.

 

O ex-primeiro-ministro Ivanishvili, que preside o partido no governo, tem uma fortuna estimada em 4,6 bilhões de dólares, segundo a Forbes, o que representa um terço do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Agora prometeu aumentar os gastos sociais e saldar as pequenas dívidas bancárias de 600.000 pessoas, um anúncio que várias ONGs consideraram uma "compra de votos sem precedentes".

A oposição acusou o governo de intimidar os eleitores e afirmou que militantes do "Sonho Georgiano" haviam agredido membros do partido de Vashadze.

Zourabichvili afirmou que ela e seus filhos foram ameaçados de morte. Vários deputados do "Sonho Georgiano" mencionaram, inclusive, a possibilidade de uma "guerra civil" se Vashadze vencer a eleição.

Três ONGs georgianas, incluindo a filial local da Transparência Internacional, afirmaram na semana passada que tinham provas de que o governo imprimiu documentos de identidade falsos para fraudar o segundo turno.

Após as acusações, a Procuradoria Geral anunciou a abertura de uma investigação.

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