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África do Sul quer proibir criação de leões para a caça

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Uma comissão parlamentar da África do Sul pretende restringir a criação de leões em cativeiro para serem caçados, uma prática generalizada neste país que tem 8.000 leões criados em lotes cercados.

Atualmente, existem apenas 3.000 leões vivendo na África do Sul, em parques nacionais, onde a caça é proibida, enquanto 8.000 deles são criados em cativeiro para caça, comércio de ossos, turismo ou pesquisa científica.

A caça de leões contribui com 36 milhões de dólares por ano, mas um grupo de deputados quer proibir essa prática.

Uma comissão parlamentar, encarregada de assuntos ambientais, aconselhou o governo em 12 de novembro a rever a legislação sobre a criação de leões em cativeiro.

Tratados internacionais proíbem o comércio de leões caçados na natureza, mas autorizam no caso daqueles que são criados em cativeiro.

Os deputados consideraram que os ministros deveriam abordar essa questão "para acabar com essa prática".

 

 

Os representantes parlamentares querem que o executivo "retifique" sua recente decisão de dobrar até 1.500 a cota de esqueletos de leões que podem ser comercializados a cada ano.

A África do Sul exportou ossos de leões para o Laos, Tailândia, Vietnã e outros países do Sudeste Asiático durante a última década, onde são usados para fazer joias e preparar receitas da medicina tradicional.

"A África do Sul autoriza uma prática que gera rejeição em todo o mundo e precisamos encontrar uma solução para melhorar essa situação", disse o deputado Phillemon Mapulane, presidente da Comissão de Meio Ambiente do Parlamento, preocupado com a imagem do país em termos de preservação da natureza.

Derek Hanekom, que atuou como ministro do Meio Ambiente interinamente quando o Parlamento fez essas recomendações, explicou à AFP que formará um grupo de trabalho especial sobre o assunto.

A criação de leões em cativeiro é uma questão controversa há anos na África do Sul, onde muitos desses animais são criados em terrenos cercados por arames farpados elétricos.

A ex-ministra do Meio Ambiente, Edna Molewa, que faleceu este ano, alertou que mudar as regras sobre a criação de leões pode significar que "milhares de leões deixarão de ter valor e não contribuirão com qualquer renda", além de ocasionar a perda de inúmeros postos de trabalho no setor.

Nos últimos anos, campanhas na França, na Austrália, na Holanda e nos Estados Unidos se multiplicaram para proibir a importação de troféus de caça de leões criados em cativeiro.

Em 2016, a União Internacional para a Conservação da Natureza pediu à África do Sul para proibir a caça.

Em setembro, a Singapore Airlines, até então a única empresa envolvida no transporte aéreo de ossos de leões da África do Sul, anunciou que deixará de transportá-los.

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